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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Parabéns pra Você

Fazer aniversário. É! Ficar mais velho e essas coisas. Sabe, nunca fui adepta da cultura de ficar felicíssima ao completar primaveras. É que poxa, a vida é uma contagem regressiva e um ano a mais de vida significa um ano mais pertinho do fim, é, do finalzinho. Não vou dizer que odeio fazer aniversário. Uma que não é ódio que eu guardo aqui. É mais nostalgia. Não chega a ser tristeza ou depressão. Aniversariar me deixa é pensativa como, cara, que que eu vou fazer da minha vida? Quanto tempo eu tenho ainda pra decidir sobre o que eu realmente posso fazer pra ser feliz? Quando é que eu vou começar a cair?

Sim! Cair a bunda, os peitos, os cabelos. Mas aí existem aqueles que julgam e dizem: Ah mas tu é uma guria muito nova pra pensar nessas coisas. Beleza, 17 anos é adolescência, nem maioridade se tem. E sabe o que é pior? Eles têm razão. Então por que diabos eu fico assim ao fazer a porcaria do aniversário? Fazendo a porcaria do drama? Por que diabos a gente tem que reclamar do aniversário mesmo? Tá certo. Comemorar tem lá suas vantagens. Se não fosse meu aniversário, eu não ganhava presente. Não mesmo. Se não fosse o meu aniversário, não tinha aquela puta torta de morango moreno na geladeira que me dá água na boca. Se não fosse a porcaria do aniversário, gente que eu não via a 5 mil anos não viria me visitar.

Quando a gente começa a avaliar o comportamento é que a gente vê onde a gente erra. Onde pode acertar, consertar. Talvez fazer aniversário não seja lá de todo ruim. Só sei que eu quero que os fios brancos apareçam daqui uns 30 anos, e se antes aparecerem, tinta neles, Batista!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E aí, Noel

Fala cara! Tava aqui pensando, te escrevi cartinhas um bom tempo só pedindo, e pedindo. Chega essa época do ano, e tudo aqui em casa fica colorido. A noite, vira dia e a casa fica toda iluminada só pra te receber, e eu nunca te agradeci, de fato por isso. É, juro que pensei em começar a te fazer aquela lista de desejos que todo mundo faz, de bens materiais no natal. Tudo bem que eu faço aniversário pertinho de vez em quando o presente vem pras duas datas, mas ele vem! E junto dele, o sorriso de quem lutou pra conseguir. Tô falando dos meus pais, cara. É, aqueles velhos que te entregavam as cartas de caligrafia caprichada que eu escrevia com tanto gosto. Cheia de esperança, de felicidade.

Então, Noel, esse ano fui boa moça. Me comportei, fiz a lição, tentei - juro que tentei - não brigar com o meu maninho, que também foi presente do senhor e não fiz mal - criação. Mas há meses atrás, senti falta do bico que tempos atrás te entreguei. Porque me senti só, aliás queria te fazer uma perguntinha, seu danado. Oh, o senhor andou me observando, foi? Porque quando mais senti - me só, mandaste um anjinho pra me fazer companhia. Pra me fazer sentir especial outra vez. Um anjinho lindo, que me falou das cores do mundo e do valor das coisas. Foi você? Bom, Noel, se foi: muito obrigada! Esse foi um dos presentinhos mais lindos desse ano, de verdade. O mais amado.

Queria te agradecer por reunir toda a parentada nessa época do ano. Por fazer com que nos abracemos ternamente, com sorriso na cara. Por fazer com que aquela minha tia, a de cara amarrada, desse gargalhadas ao ouvir as histórias dos outros. Queria te agradecer também, por obrigares a minha mãe a fazer aquele peru na brasa que eu tanto adoro. Sem peru, sem natal. Queria, além de todas essas coisas, te agradecer por dar graça à minha infância. Não sei com quantos anos fui parar de te escrever, mas hoje, 17 anos depois da primeira cartinha, venho te desejar feliz natal, Noel. Pra mim, pra você, pra minha mãe, pro meu pai, pro meu irmão e pro meu amor, valeu aí, cara.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Palavras ao Vento



Palavras ao Vento - Cassia Eller

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será

Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será

Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento

Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será...

PS.: A letra dessa música é maravilhosa.

Minha joia

Pular no teu ombro. Subir nas tuas costas. Te machucar de algum jeitinho o tempo todo. Fitar deu sorriso, teu cabelo, cada piscadela do teu olho. Te ver sentado no sofá, ver o espaço vazio do lado e mesmo assim preferir o teu colo. Passar a mão por entre os teus fios de cabelo. Preencher os espaço que existe por entre os meus dedos com os teus dedos. Te fazer cócegas. Te fazer rir, sorrir. Suspirar ao ouvir tua voz. Suspirar ao sentir o toque do beijo teu. Fechar os olhos e sorrir ao lembrar de cada uma dessas coisas.

Queria que você estivesse presente em cada segundinho da minha vida. Que me acordasse com um beijo teu, mesmo que o mal cheiro e o gostinho de manhã dominassem a minha boca. A tua boca. Essa coisa que me faz emergir nas sensações mais sem-nome desse planeta. Teu nome não sai dos meus lábios. Você não tem ideia do tamanho do orgulho que eu sinto de te pegar na mão assim, no meio da rua e de gritar pro planeta, pro sistema solar que você é de mim. Que eu sou de você. Olha, meu bem, se eu pudesse, juro, te grudava assim, o dia inteirinho da minha pessoa. Na minha cintura. Na minha vida.

Gosto tanto de quando me deixas cuidar de ti assim, pequeno. De quando me dizes do nada que me ama. De quando para, me observa, me afaga. Gosto tanto quando cerra as pálpebras ao toque do beijo meu. De quando te digo dos mil defeitos que possuo e me dizes que ama a cada um de maneira particular. De quando se utiliza dos teus singulares olhos verdes pra me ter nos braços, pra dizer qualquer coisa que não seria tão bem dita se decidires, então, falar. De quando prefere calar e me amar. E me amar. E me amar, meu amor.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Caso da Receita da Vida

Diariamente eu chego a simples conclusão de que a vida é tão maravilhosa porque também é feita de colos, de feridas que cicatrizam, de amigos que celebram ou choram junto, de gente que pega ônibus ou faz caminhada pela manhã, de quem planta o que se pode comer, de vizinhos que alimentam seus gatos com comida de gente. Que a vida é feita de algumas pessoas que direcionam todo o seu potencial criativo para melhorar a qualidade de vida de gente que eles nem conhecem. Que é feita de e-mails que chegam recheados de saudade e de cartas extraviadas solitárias numa gaveta de um correio qualquer. De muros e pontes e cais. De aviões que suprimem distâncias e de barcos que chegam. De bicicletas que atravessam cidades. De redes que balançam gente. De rostos que recebem beijos. De bocas que beijam. De mãos que se dão. Que existem pessoas altamente gostáveis, altamente generosas, pessoas conectadas que se preocupam com o lixo, pessoas apaixonadas e apaixonantes, possíveis e impossíveis, pessoas que se entregam, pessoas que machucam, pessoas que chegam pra curar; desencadeadores de poemas, de sorrisos,de lições de vida que ficarão guardadas para sempre. A vida é tão maravilhosa porque ela nos compensa com ela mesma.

Marla de Queiroz

sábado, 5 de novembro de 2011

Postagem sem título aparente

Não seja muito. Se tem uma coisa que a vida me ensinou, foi de que de nada vale sair mostrando a própria intensidade por aí. O mundo não rouba brilho de ninguém, mas ofusca. Ofusca a vontade de viver intensamente tudo o que se tem, tudo o que que conquistou. Aí, de repente, tudo fica assim. Opaco. Por isso a intensidade de nós vive guardada. Assim, pra gente. Porque de regar demais, plantinha também morre. Desde que me conheço por gente, mudei meu jeitinho pra agradar a alguém. Se eu me apaixonasse por um menininho, aos 7 anos, e ele amasse jogar Mário, eu começava a jogar Mário. Não que Mário seja um jogo ruim, bem pelo contrário. Eu adoro Mário. Mas isso não vem ao caso. Se eu me apaixonasse por um menininho, aos 10, e ele amasse jogar e assistir futebol, eu assistia. Não que futebol seja uma coisa ruim, bem pelo contrário. Eu adoro futebol. Se eu me apaixonasse por um menininho aos 13 e ele amasse meninas loiras, eu só não pintava o cabelo porque minha mãe não deixava. Esse foi o meu problema. Eu sempre fui muito adaptável. Sempre dei às pessoas o que elas quiseram. Agora tô eu aqui. Jogando Mário, assistindo futebol, dormindo até de meio dia, usando o cabelo amarrado, castanho e muito, muito feliz porque encontrei você. E não precisei mudar nadinha pra você amar esse meu jeito estabanado de ser. De viver.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ainda Bem!



Ainda Bem - Marisa Monte

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão

Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão

Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou

Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

PS.: Aparte do "Nana na nana nana" não sai da minha cabeça. Sério. Mas a música, é linda.

domingo, 9 de outubro de 2011

Zeladora de Nós

Tô com vontade de gritar. É! De berrar aos quatro ventos que sou de você. Que sempre sonhei em ser de você e que estou morrendo de felicidade de poder, enfim, ser de você. Aqui dentro tem muita coisa junta acontecendo, meu menino. Vontade de fugir de mim e ir morar aí, dentro de ti. No coração. Do lado esquerdo, tem lugar? É que me parece tão, mas tão confortável viver no teu amor. No teu carinho. No teu afago. Me parece tão, mas tão confortável dormir ao som da melodia do batimento do teu peito, da tua respiração. Me deixa morar aí, vai. Prometo ficar quietinha e zelar do teu amor. Zelar da gente. Zelar de você.
Tô morrendo de vontade de te dizer umas mil coisas que estão aqui dentro. Que sinto por você tudo de mais lindo que existe no mundo. Que se nascessem flores de mim, elas seriam as mais belas e eu a ti, as entregaria. No teu jardim elas repousariam. Tô morrendo de vontade de morar no teu abraço. De me perder dentro de ti. De deitar no teu colo e esquecer de poréns. De esquecer do tempo. De esquecer de mim e de pensar da gente. De como somos quando estamos juntos, assim, um só. 
Você me diz que ama meu jeito de usar hipérboles com tamanha frequência e de segundos depois te chamar de amorzinho, lindinho, pequenino. Eu digo que amo toda vez que você repete alguma coisa que eu falo porque sabe que me faz sorrir. Digo que minhas pernas tremem quando nos olhamos tão silenciosamente e você, do nada, dá um daqueles sorrisos que, meu bem, me tomam de uma vontade maluca de pegar - te pelo rosto e encostar meu lábio no teu. Fechar os olhos e encostar minha cabeça na tua. Dizer que te amo, e que estou maluca. Louca. Apaixonada pela gente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Revendo Prioridades

E então, estou aqui hoje pra dizer-lhes, queridos companheiros que: A frequência de posts aqui do blog vai mudar, e muito. Hoje, dia 01/09/2011 estou no meio de uma crise existencial. Exclui boa parte das redes sociais a que pertencia e não faço ideia do porque. Mentira, faço sim.Ultimamente, minha inspiração foi pro beleléu e eu não acho nem um pouco justo, publicar a vocês que me acompanham a tanto tempo esses parágrafos que, ultimamente andam tão clichês quanto fuscas azuis pelas ruas de Farroupilha.

Outro motivo pela exclusão de quase tudo o que existe de mim, é o fato de que do nada, setembro me despertou que: Eu não tô aproveitando a vida. Tenho 16 anos e boa parte do meu dia, passo na frente de um computador. Isso não é vida. Não pra mim. A internet é uma ferramente incrível, sem mentira. Isso é inegável. Imutável. Mas ela rouba muita coisa da gente. Rouba muita coisa de mim. Enquanto eu tô na frente de um computador, tô perdendo tempo de passar com a minha família. A um bom tempo não tenho lido livros. Eu amo ler. Uma coisa que vocês provavelmente não saibam sobre mim, é de que eu quero ser médica. Sim! Quero lidar com pessoas. salvar vidas e trazê - las ao mundo. Se eu não for médica, vou ser engenheira ambiental. Mas antes de tudo: A medicina! Aí então hoje, parei pra pensar que sonho isso só por sonhar. Porque quando a gente quer uma coisa de verdade, a gente corre atrás.

E eu não estive correndo atrás.

Então agora vai ser assim: EU VOU VIVER. Caros leitores, não vou abandoná - los. Mas a frequência de posts aqui, será muito, muito incerta. Eu vou amar mais, vou aproveitar mais, vou viver mais. Porque eu não quero que seja tarde demais para então me arrepender de tudo o que não fiz. Não me apaguei totalmente na internet. Vou continuar com o Facebook. Vou continuar com o blog. Mas nada mais que isso. Ah, tem o msn também mas esse, eu vou fazer outro. Tenho muitos contatos enfeites nesse meu. Falo com cinco ou seis pessoas que me aturam e que gosto de falar. Vou aproveitar esses meus amigos. Vou aproveitar essa família linda que eu tenho e o estudo que vai ser a base do meu futuro. A base de tudo o que vou ser o resto da minha vida.

Outro motivo esquisito que me levou a toda essa revolução, foi o de que quando você se expõe demais na internet, as pessoas acabam perdendo a vontade de saber de você. Elas perdem completamente a curiosidade de você porque você expõe exatamente tudo o que elas querem saber. Olha só ao nosso redor! as coisas têm sido tão banalizadas ultimamente que ''eu te amo" virou "bom dia". O negócio não funciona assim, moçada. A vida não é assim não. Estuda. Vai ser alguém na vida. Não deixa a internet comer a tua vida social não! Não tô dizendo que se você fizer isso, sua vida vai ser melhor. Isso é só um: Cara, acorda também.

Eu em momento algum vou deixar de acessar à internet. Mas é claro que não. Vou entrar e falar com os meus amigos. Vou falar com pessoas que estão dispostas a conversar comigo. Não somente a me terem como um enfeite no Windows Live Messenger ou até mesmo como um número no twitter. Twitter pra que? Pra dizer ah, vou ali e já volto. Formspring que funciona mais pras pessoas te chamarem de filho da puta e viadinho? Quem se sente bem com tudo isso? Desculpa mãe, mas foda - se a opinião dos outros. Eu sou exatamente o que sou porque eu gosto de ser o que sou. Não tenho obrigação de agradar a ninguém. Isso aí.  Tu também não tens obrigação de agradar a ninguém.

Que tipo de futuro eu sonhava pra mim? Ah, vou ser médica, ganhar muito dinheiro e salvar as pessoas. Acho linda essa profissão. O mais curioso ainda, e que vocês não sabem, é que eu sonho em ser obstetra. Ginecologista e Obstetra. Já pensou? Dra. Roberta Vicente. hahaha, soa lindo, pra mim. Sonho com isso desde os 11 anos. Mas até então eu só sonhei. Não corri atrás. E é isso que vou fazer. Vou correr atrás dos meus objetivos. Dos meus sonhos. Já pensou que coisa mais linda eu, trazendo pessoas ao mundo? A vida ali, nas mãos... Quem me conhecia a tempos sabia que eu era definitivamente muito, mas muito presente em redes sociais. Qualquer coisinha que inventavam eu sentia a necessidade de ter pra mim. Mas não é mais assim.

Então, à partir de hoje, 01/09/2011, eu, Roberta Vicente, vou deixar com que as pessoas queiram descobrir sobre mim. Tenham curiosidade a respeito da minha pessoa. Minha versão completa e atualizada não vai estar exposta na internet pra quem estiver afim de saber. Ela vai estar guardada pra quem se dispuser a conhecer e é claro, tiver a paciência de me aturar. Vou correr atrás, finalmente, dos meus sonhos.

E pra vocês, caros leitores, um até breve bem, mas bem caloroso porque em setembro, ainda é bem frio.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pensamento pré-visto

Essa tarde, então, por entre risos involuntários, pensei: Que raios vou fazer quando te ver? Oi Zé. Tudo bem? Tudo em cima? Ah que bom. Tá frio né? É… Poxa, não tenho nenhuma novidade não, e você? Ah… Ô Zé, me faz feliz? É que… Pera, você disse sim? - Zé me beijando, e eu beijando Zé - Zé, não vai embora não. Fica. Não me perde. Não se perde. Me preenche, vai. Tô precisando tanto de alguém que cuide de mim. Ah, Zé, diz que vai me fazer feliz, diz.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Memorando

Eram bons os tempos em que costumávamos nos sentar à beira da varanda para falar de nada. Que sentíamos a brisa sob o rosto e cerrávamos os olhos a fim de abrir o coração. Eram bons os tempos em que não precisávamos levantar um decibel da voz para que pudéssemos nos comunicar. Em que não sorríamos somente para fotografias que hoje, estão amareladas no fundo da gaveta da escrevaninha. Em que deitávamos sob o gramado e contávamos constelações, contávamos da vida, contávamos do real valor que tudo aquilo tinha para nós mesmos. O mundo roubou - nos a pureza de aproveitar cada segundo do que a gente vive. Dá saudade. Era bonito, e como era bonito.

sábado, 27 de agosto de 2011

Vem

Moço, me adota. Cuida das minhas dores e dos meus anseios. Me olha no fundo dos olhos. Enxerga minh'alma. Juro que não sou chatinha não. Não tenho frescura, não gosto das coisas tão certinhas. Não fico horas na frente do espelho mexendo no cabelo e tenho as unhas bem, bem feinhas. Sabe, moço, tô precisando tanto de alguém que me proteja dos meus medos. Dos meus anseios.

Moço, me carrega nas costas e me faz rir o riso mais doce puder. Pega a colcha de retalhos, um filme bem sessão da tarde, coloca a pipoca no forno e deixa que eu arrumo o sofá. Mergulha por entre os cobertores e me deixa deitar no teu ombro. Moço, ri da vida comigo. Me morde. Passa teu nariz na minha face fazendo dengo. Vem ser dengoso comigo, moço, vem. Deixa eu meter as mãos por entre os teus fios de cabelo e te tocar o rosto de pele aveludada. Me deixa te olhar sem falar nada. Me deixa ver a beleza desses teus olhos verdes. Fala nada não. Fica quietinho. Moço, você é lindo.

Põe - me nos braços e me chama de tua.

Ai, moço, te quero tão bem. Faz acontecer em câmera lenta. Aumenta o volume do rádio e dança o passo mais desengonçado junto ao meu pela sala. Tropeça e cai no chão. Me leva junto pro chão, moço. Me faz cócegas e canta qualquer coisa no meu ouvido. Desafina. Afina. Sussurra. Diz que vai me proteger e não me deixa ir embora. Moço, não vai embora. Fica. Cuida de mim. Não se perde. Pega o papel e assina. Vai moço, me adota.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Conto de Maria I

No meio de toda aquela chatice de jantar de negócios, eis que tive um pequeno relapso. Te ver, de repente, sentado do outro lado da mesa fez-me ter um dejavú e perceber que eu já o vi antes. Sim, meu querido, nós nos conhecemos. Senão desta, de outras vidas. De paletó nada amassado, cabelos milimetricamente arrumados e a vida que transfigurava no lindo botão de cravo branco, provavelmente recentemente colhido no bolso esquerdo do peito. De pele aveludada e lábios um tanto quanto equilibrados. Cheios de cor e vontade. Só não sei se cheios da tua vontade ou da minha.

Tentei então imaginar se talvez pudesse lembrar do timbre da sua voz. Fina não deve ser. Ele não tem cara de voz fina. Espera, ele virou. Ih, tem gogó. A voz deve ser das graves. Será que tem sotaque? Preciso parar de encarar, daqui a pouco tá ele lá, pensando que eu sou uma psicopata. Louca. Maluca. 

E eu vou fazer o que? Virei sim, uma psicopata, louca e maluca - por ele -.

Decidida a parar de encarar o pobre - lindo, maravilhoso e meu - rapaz tentei concentrar - me na conversa mais que muito convencional entre meu pais e o chefe dele. Esta é a menina de vocês? É sim. Qual a sua graça? Maria. É um lindo nome, Maria. Sabes que esses dias... Desde então não ouvi absolutamente nada do que falavam à minha volta. Ele levantou. Sim, aquele de que falei que conheci em outras vidas. Arrastou suavemente a cadeira para longe da mesa e levantou. Como ele andava bonito! Desculpa, pai, preciso ir ao banheiro. Licença.

Continua...

Esse tal vazio de mim

Distraída, ao vagar pelo meu interior que agora, já fora arrumado. Tudo posto nos devidos lugares: coração, em mim, não em tu. Estômago, preso, não à embrulhar, relutar, girar e provocar-me sensações insanas. Alma, limpa, serena, não suja da podridão do meu sentimento inexato, não recíproco. Tudo aonde deveria estar, finalmente, estava. Mas por uma ventura do infinito que me cerca, me desprendi. Como aquele passarinho preso na gaiola, bem em teu devido lugar, mas ansiando pela liberdade, com sede de respirar ar puro…

Seria eu, estável, mas com ânsia de amor. Mas como todo passarinho e todo poeta, tenho medo. Cresce algo no meio de tudo que estava tão correto, e tira tudo o que estava no lugar do certo, me leva para o “talvez”, me leva para o inexato, me leva para o futuro, o amanhã… Tão incerto, tão recheado de dúvidas que vêm a transbordar pelos meus olhos quando nada mais se cabe aqui dentro. Nada mais se cabia, não entrava, não vinha. Talvez porque meu medo já tivesse resolvido se misturar as minhas tão vontades de me ter sempre aqui, sempre em mim. Por certo, não fora o suficiente. Talvez, quem sabe, não era o que merecia. Ter-me por completo em um espaço tão meu. Quem sabe foi por isso que o destino resolveu mudar a rota já traçada que vim a escolher para a minha vida, levando-me para longe de onde jurei jamais sair. Talvez não mais se cabia tanta vontade de prender-me a uma gaiola e viver a cantar, sem mais som algum. Talvez sair para respirar ar puro se transformou em sentir uma leve brisa que me trás as mais belas lembranças de que ninguém pode ser-te só seu. Nem eu.

Desprendi-me então deste sufoco vazio, desta gaiola invisível, destas correntes que aprisonavam-me em meu próprio eu. Desprendi-me e prendi-me à outro passarinho que vagava por aqui a sibilar acolá sobre as verdades que a vida tinha a mostrar. Prendi-me em outra gaiola – muito mais aconchegante, devo dizer – prendi-me a tu. E com a vontade de libertação maior que o medo de perder-me nos caminhos tortos que o vento nos aponta, fui. Segui. Voei. Libertei-me da dor e prendi-me, enfim, a tu, a nós.

PS: Esse texto não é de minha autoria. O vi perambulando pelo tumblr, mas uma pena mesmo é não saber o nome do autor dele.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A arte de reluzir

Não existirão palavras, ou até mesmo expressões, que definam o quão belo é viver ao lado de pessoas que reluzem. Então cá estou eu, tentando definir pessoas que possam reluzir e, caracterizarei apenas uma, a que vi dias atrás passando a avenida 47, em 12 de outubro. Ela era dona do riso mais largo que vira em anos de vivência. O mantive em pensamento por horas. Dias. Noites em claro. Desde então, comecei a procurar por pessoas verdadeiras. Donas de lindas almas, e gestos.

Matutei durante muito tempo, tentando descobrir alguma forma de enxergar a alma das pessoas. Foi então, que resolvi pedir a ajuda de um velho amigo, que com anos de experiência e muita sabedoria soube responder-me de forma grandiosa: "Para que tanto pensar? A beleza da alma das pessoas, reflete o brilho dos olhos de cada uma delas." Bingo. Andando pela rua, olhava nos olhos de cada ser, imaginando que, cada um possui uma história diferente.

São seis bilhões de pessoas na face da Terra, seis bilhões de histórias diferentes. De repente senti uma vontade absurda de saber cada uma delas, sem mal saber da minha. A história que guardo de mim, são umas poucas e lindas lembranças e algumas outras fotografias em sépia mantidas num álbum nada convencional. Tá aí, uma coisa muito curiosa: A maioria das pessoas que reluzem, possuem ao menos um par de histórias tristes para contar. Mas até então, pareço não encontrar uma real definição para elas. É que coisas como estas, não devem ser entendidas. Não devem ser explicadas. Devem ser sentidas. Então, acho que vou é desejar que você encontre uma pessoa que reluz qualquer dia da sua vida, ou, porque não, ser uma?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

I'm free, free falling

Venho por meio deste post nada comum, apresentar a vocês meus queridos leitores meu mais novo amor platônico: John Mayer. Quem convive comigo ou me segue em qualquer rede social, tem percebido o quão ''apaixonada'' eu ando pelo mesmo. Eu havia, de certa forma, parado um pouquinho com as postagens aqui do blog porque durante um certo tempo não tive tempo, essa vida corrida de estudante não é fácil, principalmente em final de semestre.

Mas aí essa parada me deixou sem inspiração eu eu não consegui escrever desde então. Desde que ouvi a voz dele, escrever e não ouvi - lo cantar ao mesmo tempo se tornou algo impossível. Sim, caros leitores, estoy enamorada. Quem já o escutou, talvez saiba do que eu estou tratando. Minhas amigas, meus caros me dizem: Para beta, ele nem é tudo isso. Mas eu vos digo, apurem os ouvidos e o coração.

Ele me tocou.

Dessa crise existencial

Não consigo me livrar dessa sensação de que tudo tem salvação. A vida, de certa forma, obrigou-me a colocar menos intensidade nas pessoas, mas não por inteiro. Uma parte da criança que vive aqui dentro, continua brincando de balanço no fim da tarde. Rindo da vida, rindo de tudo que é normal. Só espero que o mundo, cruel do jeito que é, não queira livrá - la de mim.

Caso de supermercado

Estava lá, aguardando pacientemente a moça do troco, quando passo os olhos pela frase escrita em letra de forma branca, sob o tecido verde da camisa do jovem rapaz. Era dono de olhos cor de mel, cujos roubaram-me um sorriso por entre os lábios: ''Em que posso lhe ajudar?''. Fitei sua beleza robusta por alguns segundos e pensei em puxar um assunto, qualquer que fosse. Claro que pode, me desculpe, mas acho que perdi o caminho de casa. Ou então: Já que o moço dos lindos olhos fez a bondade de oferecer-se, não quer entrar na minha vida e virar tudo de ponta cabeça?
Tenho certeza de que isso frustraria o pobre rapaz. Eu tenho o costume de frustrar as pessoas. Baixei a cabeça e comecei a sorrir fantasiando, inventando coisas que jamais aconteceriam. Como, por exemplo, o moço dos olhos cor de mel dando de comida aos patos ao meu lado, á beira de uma lagoa qualquer. Ele poderia tocar violão para mim ao final de todas as tardes, sentado à beira de uma janela alta e eu o observando, agradecendo todos os dias por tê-lo em minha vida. Nós poderíamos nos afundar sob um sofá rasgado, mergulhados em um ou dois cobertores assistindo a qualquer filme besta. Rindo. Gastando tempo.
Aí, como sempre, eu acordei. Cruzei olhares com o moço dos olhos doces uma última vez desejando poder vê-lo qualquer dia vagando por aí, sem rumo. Aí eu o diria sem fundamento algum: "Em que posso lhe ajudar?"

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sobre pessoas


As pessoas sentem um medo extremo de sentir. De ouvir que dentro do peito, um coração bate por alguém, pra alguém. As pessoas sentem medo da felicidade, mas a querem a todo instante, pro resto da vida. Temem acreditar nas palavras ditas pelas pessoas, as deixam perdidas, sozinhas pelo espaço. Fogem, covardes, do amor. Essa coisa que faz o coração bater depressa e as mãos suarem, bobas. Aí você percebe que amar não é para os fracos. Amar não é tolice. E, até mesmo como ouvira nas rádios um estrábico dizer, amar não é pecado. Conclui-se que as pessoas querem a felicidade, mas fogem dela. Seilá, pessoas são complicadas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Filha, acorda

Já sofreu demais esse coração. E de tanto sofrer, endureceu. Já ninguém mais amolece. Já ninguém mais entra. Deu, chega. A vida toda, viveu de sorrisos amarelos e olhares falsos. Mais falsos que notas de 3 . Promessas feitas da boca pra fora frustaram qualquer esperança de que algum dia a guriazinha volte a ser doce, babaca. Arrancaram desse coração a ingenuidade da pureza de amar sem medidas. São Jorge, por favor, me empresta o dragão. Olhos de tristeza. Olhos de orgulho. Alguém pode definir alguma coisa tão angustiante? Vê-la sentada admirando o nada, inexpressiva e carente de amor dá uma vontade louca de chorar. Espera, eu disse chorar? Ver ela lá, tão concentrada no nada da mesmo é vontade de chegar, olhar no fundo dos seus olhos opacos e carentes de brilho e dizer: Filha, acorda. Dá vontade de abrir o peito e mostrar que não existe nenhum coração no mundo que não tenha cicatrizes. São Jorge, cadê o dragão? E se não for pedir muito, traz a espada. Tenho uma causa (im)possível para você. Fazer aquela moça ali sentada, essa mesmo, a dos olhos tristes, se apaixonar por ela mesma.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sou muito mentirosa

Que lugar mais cheio. Dá pra sentir o cheiro de todo mundo, é quase inacreditável que eu não possa sentir o seu. Porque eu sou o único E.T. que se contenta em sentar numa mesa cheia de garrafas e lamúrias empilhadas, umas em cima das outras ao invés de ir pro santo meio da pista vazia? É tudo culpa sua. Desde que te conheci, não vejo mais graça em nenhum programa com os amigos desde que você não esteja presente, ou desde que eu saiba do seu paradeiro. Não pode ser assim. Eu nem sei se você pensa em mim, ora bolas. Aqui sentada, já perdi a conta de quantas vezes espichei o pescoço procurando-te em olhares e ombros alheios. Não cheguei a mencionar, mas adoro até seus ombros. Sabe, ver seus amigos dançando feito babacas, querer participar disso e não conseguir não me parece algo cabível. Minha presença sem ti naquele lugar, era tão significante quanto a coluna de pedra que só servia para atrapalhar o caminho de quem por ali passasse. Meu, vou embora. Porque? A festa ta tão boa, uhuuuuu! Seilá, vou embora. Que louca, fica aí. Não, fica aí eu chamo um taxi. A embriaguez dos meus amigos só é agradável quando eu, consequentemente me embebedo junto. Desci as escadas, decepcionada comigo mesma. Indo embora de um lugar pelo simples fato de você não estar lá pra eu enxergar o seu sorriso e os teus cabelos. Idiota. Não devia ter te conhecido. Você estragou a minha noite. E isso, não é barato. Nem caro, só não é barato. Se eu te ver, vou te ignorar muito. Você não merece nem passar por mim. Ai como eu to bandida. Agora, quem vai pagar é você. Eu te odeio. Vai se ferrar. Filho da mãe. O taxista tem seus ombros! Que merda, não consigo nem mentir pra mim mesma.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não tem mais de você

Essa manhã eu acordei e não tinha mais de você deitado no lado direito da cama. Levantei e não ouvi a sua voz. Caminhei e não te vi reclamar do barulho do assoalho. Não ouvi teus elogios dizendo que eu estava completamente linda com um pijama velho, cabelo ridiculamente bagunçado e pasta de dente na boca. Aliás, queria eu acreditar que quando você dizia que eu estava linda naquele estado, que aquilo fosse verdade, de fato. Entrei no chuveiro, e não tinha você pra me alcançar a toalha que eu esqueci a uns bons metros do banheiro. Saí do quarto e o café não estava na mesa. Peguei os pães e não tinha você pra me alcançar o a faca. Não tinha mais do seu sorriso do outro lado da mesa, ou das suas – por vezes, nossas – roupas espalhadas pelo chão. Não tinha mais a gente conversando sobre o que ia fazer o resto do dia, da semana, o resto da vida. Não tinha mais você me chamando de ‘meu amor’ e dizendo que íamos viver juntos para sempre. Acredite, o seu ‘para sempre’ foi o único o qual eu realmente acreditei. Não tinha mais você tocando ‘Your Winter’ na varanda. Não tinha. E o Sister Hazel, meu bem, não arrebenta cordas tocando no meu rádio como você costumava arrebentar lá fora. Agora, aqui, só existe uma lembrança tua. Teu cheiro ainda não saiu do sofá que sempre costumava sentar e eu ainda sinto tua presença. Mas não vou mais chorar. Meu querido, a vida continua e como diz a letra da música, I wont be your winter. Eu vou (re)aprender a viver feliz, e sem você pra me alcançar a toalha.

Ps.: Essa é a música de que falei na narrativa 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu, caçadora de você

     Andava pela rua, aflita como se não quisesse nada. Mas eu queria. Queria sair do prédio e te ver do outro lado da calçada, caminhando distraído. Aí eu ia atravessar a rua sem pretexto algum e numa falsa surpresa te daria um: oi, você por aqui? Ia morrer de vontade de te perguntar qual o teu destino, mas não o faria. Pelo ou menos, não hoje. Esperaria que você o fizesse. Na verdade, eu esperaria mesmo é que você me acompanhasse. Se oferecesse pra levar a minha pasta nada pesada e me contasse a primeira coisa que lhe viesse á cabeça. Eu ia dizer qualquer coisa idiota que lhe fizesse sorrir. Aliás, eu esperaria muito ver as covinhas do teu sorriso. Ainda to tentando descobrir se sou apaixonada por você, pelos teus olhos ou pelo som da tua voz.
     Mas existe um porém. Eu não faria absolutamente nada do que disse até então. Eu ia te ver lá, do outro lado, baixaria a cabeça e andaria o passo mais apressado que pudesse fazer. Por quê? Porque eu não sou assim. De tomar atitudes. Porque cansei de esperar dos outros e não esperar de mim.  Virei caçadora de você. Sempre que vejo cabelos cacheados passando pela rua, espero que sejam os teus.  Pareço uma pessoa perturbada caminhando pela rua, te buscando em cada olhar, em cada som, em cada cheiro. Não devia ser assim.  Agora estou aqui, andando pela rua e... espera! Acho que acabei de te ver do outro lado da rua. Ei, pssiu. Oi, você por aqui?

sábado, 23 de julho de 2011

A Moça que tinha Olhos de Ressaca

Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mar de falsas palavras

Você venceu. Venceu. Venceu, Venceu. Estou aqui, submissa aos teus desejos. Faça o que quiser de mim, mas, principalmente, me faça feliz. Pelo ou menos por hoje. Só não me faça promessas. Tenho medo, de acreditar em todas elas. Não pede meu telefone. Não diz que vai me ligar. Não quero ficar com o celular na mão esperando por um sinal de vida e, me sentindo tola por fazer isso. Não me ama. Não diz que me ama. Eu não quero acreditar. Não quero gostar de você. Não posso. Não posso. Não posso. Porque eu sei que se gostar de você, você vai embora. Como todos os outros. Você fala bonito. Tenho certeza de que me convenceria de qualquer coisa num estalar de dedos. Não me enche de expectativa, não transforma meus sonhos em pó. Minha alergia não ia suportar e eu ia espirrar feito louca. Me passa segurança. Me passa insegurança. Me abraça, cuida de mim. Preenche esse espaço dentro do meu peito de forma com que eu não precise pensar em mais nada. De forma com que eu não precise me preocupar com mais nada. Cansei, por um momento de ser inconstante. Quem sabe daqui a 5 ou 10 minutos eu queira estar mais uma vez submersa nesse mar de falsas palavras, mas aí, se você se dispuser a salvar uma jovem dama de afogar-se em ilusões criadas pela própria cabeça, me resgata. Me pega no colo e me leva pra onde quiser. Prometo não contestar. Fingir que perdi a consciência. Mas só se você prometer, que não vai me prometer nada. 

Ps.: Roubei o título do texto no blog de um amigo meu. Mas rafa, foi só o título, eu juro. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

De mal a pior ainda

Eu relativamente me empolguei com isso. Estava começando a aceitar a ideia de que poderia dar certo. Graças a Deus, usei o bom-censo, a coragem e a cara de pau. Parece ridículo, mas sim, procurei a cartomante.Eu poderia muito bem pedir conselhos ás minhas confidentes, mas, eu já sabia o que elas me diriam. Digamos que os anos de convivência fizeram assim. Uma pena, vou ter que pagar por isso. Entrei no carro e minhas mãos suavam descontroladamente. O caminho parecia nunca terminar. Confesso, que me senti uma completa idiota. Imaginei a tal da cartomante como uma senhora velha, enrugada e com tudo em cima - dos joelhos, é claro-. Coloquei-lhe, na minha pobre imaginação, um turbante cheio de brilhos e parafernálias que me chamassem a atenção, tirando os olhos dos dentes amarelados e do sotaque um tanto quanto místico. Comecei a  rir. Não da pobre senhora mas da minha imaginação tão óbvia de gente tola que acompanha novela das 11. Eu ia chegar lá e o que? Oi, ele tá com outra? Ela ia me dizer o óbvio. O que eu queria ouvir. Continuei na linha de raciocínio, de imaginar a imagem da pobre cartomante. Eca. Que nojo. Imaginei - lhe na cara uma verruga cabeluda que me causou repulsa. Estacionei. coloquei a testa sobre o volante e hesitei, mais uma vez, o porque de que estar fazendo algo que desde que me conheço por gente, julgo ser o ápice da babaquice. Olhei para a porta do estabelecimento mal acabado e vi uma velha senhora saindo aos prantos. A cartomante deve ser masoquista. Que nojo. Pensei na verruga cabeluda novamente. Isso bastou para que ligasse o motor do carro e procurasse ajuda gratuita. Alô? Guria? Preciso falar contigo...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

2O de julho de 2O11


Nesse texto, eu não vou criar um personagem. Não vou inventar ou mentir sobre qualquer coisa. Não é dia de fazer isso. Não é um dia comum. Não deve ser tratado como um dia comum. Hoje é dia de mostrar pra aqueles que sempre estiveram do seu lado, que é ali que devem permanecer. É dia de fortalecer. Dia de um: Cara, eu te amo! Sincero. É dia de parar e lembrar de todas as cenas felizes do lado dos teus amigos de verdade. E eu vim aqui, mais uma vez, agradecer do fundo do meu coração por cada amigo relíquia que o cara lá de cima colocou no meu caminho. Olha, se eu pudesse, pegava um carro e ia visitar cada um de vocês. Olharia dentro do olho de cada um e, aos prantos, bem como eu sou de verdade, cantaria uma das músicas mais lindas que eu conheço: “É preciso o caminho enfrentar, quando o tempo difícil chegar”. Obrigado por não deixarem de lado esse sentimento, de amizade lindo, que só vocês sabem sentir e demonstrar.  Obrigado por serem donos dos sorrisos mais lindos do mundo.  Por serem os psicólogos mais mal-remunerados do Brasil. “Não vou te deixar, vou te amar, estarei sempre contigo. Seja inverno, ou verão, alegra o teu coração. Serei o teu abrigo” Jamais, eu disse, jamais esqueçam de todos os momentos que passamos juntos. E quando eu digo que vocês podem contar comigo, não é da boca pra fora. Hoje em dia, muitas pessoas dizem coisas da boca pra fora, mas, quando elas são ditas do fundo do coração qualquer um compreende o significado verdadeiro delas.  Queria agradecer aqui, cada vez que um de vocês dividiu um guarda-chuva comigo. Por mais pequeno que ele fosse. Molhando o braço. A bunda. Molhando tudo.  Obrigado por me levarem nas costas. Obrigado por ligar de madrugada na casa dos outros pedindo ‘Aí, tem um carro de gelo estacionado aí na frente?’ Obrigado por assistirem boa parte das temporadas de Rebelde até altas horas e cantarem feito idiotas  como se estivessem dentro da televisão.  Obrigada por dançarem músicas de gente corna e ainda por cima rirem de tudo isso. Obrigado por rir e lembrar do passado. Obrigado por abraçarem a minha cabeça pelo fato de os meus 1,54 não alcançarem os braços de vocês. “Cada lágrima que cai, fortalece-nos mais. Sempre serei teu amigo” Obrigado por cada: Me dá um abraço? Aliás, eu jamais, negaria um abraço a vocês. Não o peçam. Não questionem.  Obrigado por me girarem no colo. Por atenderem o telefone de madrugada quando eu ligo pra dizer: Aí, feliz dia do amigo. E não me xingarem. Obrigado por perdoarem as minhas dívidas monetárias de lanche da escola e afins. Obrigado por gritarem comigo no meio da rua. Por fazer quem ta junto com a gente, passar vergonha, e, consequentemente passar vergonha também. Vocês são as coisas mais preciosas da face da terra. E eu queria que vocês soubessem disso.  Eu não vou citar nomes. Quem sabe que é de verdade, sabe.  E é pra vocês, que são de verdade que eu deixo o meu feliz dia do amigo. 

Love u all 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mono Liso dos Olhos Meus

Ele era lindo. Lindo mesmo. Lindo pra cassilda. Droga, desgraça. Invoquei a nação dos nomes feios. Que diabos aquela filhote de grilo tanto fala com ele? Ele é meu. Embora não saiba, mas é! Sai daí, desgraçada. Deixa de poluir a minha visão. Escuta aqui, você também, ô deus grego. Tira já essa mão da cintura dessa pintura de Pablo Picasso. Para de sorrir. Quer dizer, não para não. Seus dentes, lindos eles hein, parabéns. E o seu cabelo e... Pera aí, o que os dedos da filha da mãe estão fazendo nos meus fios de cabelo? Ah não, tenho que impedir que esse ato seja consumado. Amiga, me segura. Vou impedir um gol. Esse artilheiro é meu e ninguém tasca. Embora ele não saiba, é meu sim. Tô sendo egoísta? Tô. Ele é meu, só de vista. Assim como a Monalisa era de Da Vinci. Não fui eu a criadora dessa criatura divina, mas poderia ficar ali, admirando tamanha beleza durante horas. Poxa vida, estou me submetendo a uma cena ridícula. Fitar alguém, sem disfarçar é como se fosse um "ah se eu te pego, não te largo". Tá, vou disfarçar. Mentira, não vou não. Espera, eu conheço essa música. Conheço essa história. Conheço aquela garota. Eita, que mão é essa na minha cintura? Que coisa linda é essa na minha frente? Que proeza capilar é essa dentre os dedos meus? É, Eliana. Tudo é possível.  Digamos que ele era um pouquinho meu, de fato. E isso é bom. Mentira, isso é bom demais pra mim. Mas falando sério, eu mereço, tô uma gata hoje.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Verbo Endomingar

Sabe, cansei de ter pressa. Pressa de que as coisas aconteçam, de que elas tenham obrigação de acontecer. Cansei de ter pressa na hora de arrumar o cabelo, de arrumar o quarto, de sair de casa pela manhã. Cansei de pedir pro tempo passar rápido. Cansei de caminhar depressa, de ter que pensar depressa. Quem sabe esse cansaço todo seja preguiça. Cansei de sentir frio, de reclamar que sinto frio. Cansei de pensar que as coisas vão dar errado, pra não me decepcionar. Cansei. Apaguei todas as mensagens do meu celular. Apaguei toda e qualquer coisa que me faça lembrar você. Cansei de me lamuriar vendo casais de mãos dadas na rua. Cansei de sentir inveja da beleza alheia. Cansei de ouvir. Cansei de ler. Cansei de cansar. Que vontade de viver! Passou. Quer saber? Olha a minha cama. Ela não para de me chamar. Vem cá deitar guria. Acho que vou lá. Pensar em pessoas que nem fazem ideia de que eu penso. Assistir faustão e rir do figurino ridículo das dançarinas. Reclamar que amanhã é segunda feira, e que eu estou sozinha em casa. Ah, menina, deixa pra viver amanhã. Agora é hora de hibernar. Endominguei.

sábado, 9 de julho de 2011

Mais uma vez

Mais Uma Vez - Renato Russo

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança


sexta-feira, 8 de julho de 2011

3 Pedacinhos de Alma

Vocês estão me excluindo! Claro que não. Aquelas duas falavam feito papagaias. E eu ali, sem saber ou entender de nada. Assisti a conversa das duas. Quieta. Atenta, vai que eu dou uma de malandra e pego qualquer informação no ar? Então, eu fui lá falar com ele hoje. O que? Eu não acredito que tu fez isso. Ai, eu precisava dizer que não aguentava mais aquele bosta. Espera, tu não disse que tava na de outro. Disse? Claro que não. Melhor assim. Mas eu disse que ainda gostava dele, só não o queria por perto. Ai guria, tu é uma idiota. Que?  Arregalei os olhos. Meu Deus, eu estava completamente por fora de tudo. Onde eu estive todo esse tempo? Me arrependo amargamente de nunca ter escrito sequer uma ou duas linhas sobre vocês. Eu poderia descrever mil coisas. Poderia falar que amo ser retardada ao lado de vocês. Que embora que não compreenda a sinceridade exagerada que vocês usam nas palavras, eu as entendo - e aguento - todos os dias. Mas não. Eu prefiro agradecer. Obrigado por fazerem a 'dança maluca' que só Deus sabe como é. Obrigado por cada abraço apertado. Por cada abraço bom. Obrigado por não pararem de falar um segundo sequer. Obrigado por entenderem as coisas que eu não entendo. Tipo, matemática. Obrigada pela malandragem. Obrigada pela coragem que vocês enfiam nessa cabecinha oca de que a gente tem que fazer o que quer, o que gosta, e o que dá dinheiro pra que futuramente façamos as nossas noitadas, de gente grande. Obrigada pelos 'tira isso roberta, olha que feio'. Obrigado por não gostarem de quem eu não gosto. Obrigado pelo tempo gasto na frente do espelho, e pelas horas de fofoca da vida alheia. Obrigado por aturar os rios de lágrimas que derramo constantemente. Eu sei que não é fácil me aturar. Aliás, obrigado por me aturar - ou parabéns, sei lá - . Obrigado por não desistirem de mim. Sério. Obrigada pelos: ' amiga olha pra mim, tô poderosa, tô tão linda que posso até usar a capa da invisibilidade do Harry Potter, tô sedutora, tô a cara do Bob Marley'. Tá aí. Alguma coisa eu escrevi pra vocês. Acho que posso chamar você de anjinhos. Tá, vocês não ficariam musas usando um par de asas. Pensando bem, vocês definitivamente não têm cara de anjinhos. Vou chamar vocês de amigas. Tá aí, esse apelido é a cara de vocês.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ponto Final

Pois acredite que tudo o que vivemos não foi por acaso mas, este é o ponto final para nós. Dizer que o problema desde o princípio estava em mim, parece a coisa mais clichê que toda – e qualquer – pessoa já disse a alguém a fim de se ver livre de coisas que já não lhe faziam felizes, mas esta é a verdade, querendo ou não. Eu errei, me desculpe. Errei na busca da pessoa a que confiaria minha alma mas, esse tempo que passei junto a ti mostrou - me o quanto somos diferentes e o quanto possíveis desilusões sobre meu futuro próximo poderiam me fazer cair. Eu errei, e tu não tens nada a ver com isso. Acredite que, você não fez absolutamente nada para que as coisas mudassem dessa maneira em mim. Me perdoe por ser assim, um tanto quanto inconstante mas existem coisas que você precisa entender. Não estou dizendo para que não sofras e também não lhe direi: - Tu vais encontrar alguém. Alguém melhor do que fui , alguém que te faça mais feliz do que fiz.
Não encare isso como o fim de uma história. Encare isso como um recomeço. Um recomeço para cada um de nós. Queria te agradecer por me fazer feliz durante todo esse tempo e também, por deixar em mim essas lembranças que hoje me fazem acreditar que tudo valeu a pena.

Ps.: Esse texto fora escrito a muito tempo atrás. A história não é minha. É mais uma da tag 'inventei'. Ele havia sido publicado a muito tempo, mas fora mal interpretado. Ressuscitei o dito cujo, e aí está.

Feia, a Bela

Magra, loira, olhos verdes, peitão. Linda. Cabelos impecáveis e claro, nome bonito. Raquel. Amanda. Rosana. Falta alguma coisa, preciso lembrar. Vai que até o final da trama, de repente eu (re)descubra o que é. Quero dizer, vamos redefinir beleza? Mostra a literatura, que na época do renascimento as gordinhas eram mais atraentes. Os tempos mudaram. A circunferência que a fita métrica deve fazer na cintura das mulheres também mudou. Comer menos, se tornou absolutamente questão de vida ou morte para muitas adolescentes de hoje em dia. Anorexia é um assunto sério. É um assunto amplo. Mas eu não sou médica, psicóloga muito menos entendedora do assunto. Anorexia não é o assunto. O assunto é a necessidade de ter tudo em cima pra ser aceito em qualquer lugar. Cabelo bonito. Curvas. Dentes brancos. Alo, sociedade. Cadê os valores? Cadê a inteligência? Cadê? E agora essa é para vocês, homens: Quando vocês estiverem sozinhos, com uma 'linda gostosa boa', e quiserem compartilhar qualquer coisa, palavras de alento, de carinho, de conhecimento e a 'linda gostosa boa' não souber - ou não tiver - o que lhe dizer, você se contentaria em passar dias e dias apenas apalpando-lhe as saliências? Tenho medo da resposta. Talvez seja mesmo, por isso, que exista uma grande porcentagem de 'lindas gostosas boas' na face da Terra. Olha só, de repente redescobri o que lhes falta: cérebro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caso de inverno

Segurei na mão dele. Deixei que me levasse para onde quisesse. Me leva pro teu mundo, pra tua vida, pra tua casa. Eu não sabia exatamente para onde estávamos indo. Nem ele. O simples fato de estarmos juntos já nos fazia um só. Já nos fazia as pessoas mais felizes do mundo. Segurei na mão dele. Adrenalina. Nós não devíamos estar juntos. Não podíamos. Mas queríamos. Ele me conduziu até a sombra da árvore mais feia que eu já vi. Mas naquele momento, senti que era ali que devíamos estar. Hoje, passo por lá e sorrio, lembrando - me das doces palavras que fizeram meu coração bombear mais sangue que o normal. Você é realmente linda, eu tenho sorte demais. Cala a boca, olha essa cara minada de espinha e esse nariz de batata, tem certeza do que tá dizendo? Eu não ligo. Para de mentir. Não tô mentindo. Você diz isso para todas? Digo. Ainda tem a cara de pau de me dizer as mesmas coisas? Tenho. Você é igual a todos os outros. Eu te amo. Disse isso para todas as outras também? Não. Está mentindo. É nisso que você acredita? Não, eu não consigo imaginar você mentindo para mim. Está vendo? Vendo o que? Que o amor é recíproco. Eu não sabia se aquilo, era amor de fato. Sabia que era lindo. Sabia que ele poderia me fazer feliz. Por mais que essa felicidade durassem seilá, 2 dias, 2 horas, 1 minuto e meio. Sabia também, que não me esqueceria dele tão cedo. Ele fora o mais sincero de todos eles. Não deixou se sair do padrão, só tinha algo a mais. Tinha sinceridade nos olhos. Alias, que lindos olhos, puta que pariu.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Textos dos Outros: Eu preciso saber

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada.
Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.

sábado, 2 de julho de 2011

Ilusão de banco de praça

E nós estávamos sentados lá. Numa praça. Eu podia ver os olhos que se fixavam em mim. Ah, que lugarzinho de merda fomos escolher para isso. Afinal, de que "isso" estamos falando? Ele só me chamou pra sair, espairecer. Ei, o que você acha de sairmos na quarta? Hm, quarta feira tá bom. Todos os dias me pareciam ótimos. Principalmente se fossem para sair com ele. Mas a malícia dessa história estava na cabeça dele, eu era ingênua, ingênua pra caramba. Quarta feira, estava ele lá, sentado naquele banco. Passei maquiagem, muita maquiagem, aliás, que maneira mais ridícula de tentar esconder os defeitos, não? Uma hora ou outra um cosmético acaba, e querendo ou não, maquiagem demais estraga a gente. Estraga caráter. Ele me disse que eu estava linda. E eu acreditei. Começamos a nos olhar feito idiotas. Tá e aí? E aí o que? Tascou-me um beijo. Dois, três. Espera. Você não quer conversar, aliás, não devia ser assim? E sobre o que você quer falar? Seilá, me pede como foi o meu dia. Tá, como foi o seu dia? Foi bom. E o seu. Também, agora podemos continuar? Tá. Conversar com ele parecia - e era - impossível. De repente, surgem cerca de 10 ou 12 "brothers", gritando como se seilá, o  grêmio tivesse feito um gol na final do campeonato. Olhei incrédula para ele. Ele sorriu. Aquela manada de adolescentes me serviu de companhia para chegar ao menos em casa. E ele? Ah, ele foi mais um idiota na minha vida.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Friday, 01

Chuva lá fora. Obrigado, São Pedro, nada demais pode ser feito. Uma janela, me parece interessante. Sentei á beira, sozinha, cadeira dura. Nada estava a minha volta. Pus em mãos o meu violão. Estava frio demais para que pudesse ser fácil trocar com leveza de uma nota para a outra. Doíam-me as articulações. Insisti. Toquei a nossa música. Por que diabos fui tocar a nossa música? Nunca senti algo parecido. Não sei definir o que era, e nem vou me esforçar para que isso aconteça. É como se fizesse mais frio do lado de dentro do meu peito do que lá fora. Isso não me fez bem. Desisti de tentar preencher o silêncio - e o vazio - de mim e daquele lugar.Comecei a pensar em toda a nossa história, e depois de cada pedaço de lembrança que me vinha em mente, lembrava-me das 72 horas em que amargurei, que chorei por qualquer coisa, que não sorri e que fiquei totalmente feia e desfigurada depois de chorar feito uma adolescente em crise. Eu que pensava que estava totalmente recuperada dos traumas deixados em mim, aliás, a vida é tão complicada assim? Pensar nela e nas pessoas, de repente se tornou algo triste. Não devia ser assim. Não deve ser assim. Alguma coisa de repente me fez acordar, voltar para aquele lugar: Ei, você! O que pensa que está fazendo? Sai dessa janela. Para de perder tempo. Vá já, vá agora, fazer qualquer coisa. Não entre no meio de uma crise existencial. Não agora. Deixa de fazer drama. Não seja ridícula. Olhar e admirar o vazio da chuva é para poetas. Só está chovendo lá fora.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Olha pra cá,

Levanta esses olhos, menina. Ocupa a tua cabeça. Ninguém é digno das lágrimas de ninguém. Sai. Canta. Rebola no meio da rua. Retoma o teu brilho. A vida é linda. Sabe quem mais sofre com essa depressão sem motivo, aparente? É.
Compra uma caixa de lápis de cor e sai por aí colorindo a vida. Sai dessa cama, dessa prisão que tu mesma criou. Olha o relógio: Ele não pára. Aproveita que o colágeno ainda tá em grandes proporções na tua cara, porque daqui a um tempo tu vai sentir falta dele. E não, não fica preocupada se os outros estiverem "sentindo pena de você". Mostra pra eles (e para ti mesma) que não existem motivos para que ninguém sinta pena de você. O mundo dá voltas, e te leva sempre pro mesmo lugar: Onde você deveria estar. Tá frio? Vá para debaixo das cobertas. Seus pés estão gelados? Encha-os de meias. A pessoa por quem vale a pena fazer qualquer coisa, tá no reflexo do teu espelho.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Desabafo Desnecessário

Sabe, a vida - digo, então, 16 anos, algo que parece pouco tempo para os leigos - me ensinou coisas que, jamais precisaram serem ditas. O mais curioso de tudo, é que a gente aprende quando leva na cabeça. E não sou só eu. Mais da metade do planeta age como se as coisas fossem simples, como se o tempo resolvesse tudo e que o tiver de ser será. O problema é quando não é. O problema é quando fechamos os ouvidos para não ouvir nada de ninguém e ouvimos somente aquilo que julgamos que seja o melhor para nós mesmos. Como seres humanos, não pensamos no depois. No amanhã. No "daqui um tempo", e quer saber? Graças á Deus somos assim. O que seria da nossa vida sem riscos? Sem aquela preocupação e adrenalina de um: "será que vai dar certo"? É com os erros que a gente aprende. E não adianta dizer que não. Masoquismo é idiotice. Mas quem sabe tirar pelo ou menos uma coisa boa de cada situação triste e embaraçosa da vida, pode se considerar uma pessoa muito, muito inteligente. Meu amigo, essa vida já me fez cair aos prantos, já me fez gritar de raiva, já me fez inchar a cara de tanto chorar, mas é a mesma vida que me fez viver momentos incríveis ao lado de pessoas incomparáveis, é a mesma que me viu sorrir, que me viu dar gargalhadas até sentir dor de barriga e eu não fico do lado de fora, vendo ela passar assim, depressa. Eu vivo ela como se cada dia fosse o último. Ninguém sabe o que o amanhã nos reserva, ou eu tô errada?

Sorriso na cara, bochechas coradas, dedos gelados. Eu só preciso de um tempo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Textos dos Outros: Ei, Zé

Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
Tati Bernardi

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ask me Anything


A maioria das pessoas julga o formspring como uma rede social de gente fútil, ou que gosta de promover a própria popularidade. Eu penso diferente. O formspring é uma das redes sociais mais inteligentes e mal exploradas que eu conheço, adoro o fato de poder fazer perguntas e receber perguntas de pessoas até mesmo sem  saber quem são. O formspring é bom pra ser usado de forma inteligente, com perguntas inteligentes, ou somente respostas inteligentes. Uma prova disso, é essa resposta que eu julguei genial quando vi:
O que é decadência nacional : Restart , Hori , Cine , etc ou Funk ?
Decadência nacional é você ser brutalmente agredido tanto física quanto verbalmente por se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo. Decadência nacional é você renegar pessoas do próprio país, é você achar a cultura do país que você nasceu uma porcaria, é você julgar uma pessoa pelo lugar em que ela nasceu. Decadência nacional é você viver no Brasil e pensar que vive na Europa e sempre que olhar para uma pessoa "de baixo nível" como se tivesse bosta em baixo do nariz. Decadência nacional é você não se importar se existem animais sendo agredidos ou pessoas comendo o resto da sua comida. Decadência nacional é você se preocupar com o que o dinheiro lhe trará de bom e não o que o seu amor levará de bom a outra pessoa. Isso é decadência nacional. O que as pessoas ouvem ou deixam de ouvir é o menor dos nossos problemas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sanidade


Ás vezes coloco em dúvida minha própria sanidade. Não me julgo normal. Não me julgo alienada. Sei que vejo tudo o que me cerca de maneira diferente. Ou todos que me cercam me vêem de maneira diferente. Não entendo de sentimentos pra ficar ‘fingindo que esbanjo conhecimento’ mas existem muitas pessoas que banalizam toda e qualquer coisa. Hoje em dia, tudo o que faz bem, é banalizado. Como diria o gênio Machado de Assis: “Lágrimas não são argumentos”, não que estas façam bem, mas ajudam a expulsar tudo aquilo que não pode ser expressado em palavras e em forma de água e mais algumas coisas que não podem ser explicadas. Beleza, ninguém entendeu o que eu disse. Talvez nem eu mesma compreenda aquilo que sai por entre linhas e que saber? Foda-se. Ando feliz demais pra me preocupar com bobagens e eu acho que a maioria dos seres humanos – que se julgam inteligentes demais para compreender ou simplesmente, colocar – se no lugar das pessoas que estão á sua volta – deviam cair na real e parar de reclamar do que têm, do que não têm e do que os outros têm. Você tem uma vida. Cuide dela e pare de criticar as pessoas que não pensam como você. É o que pessoas maduras e inteligentes fazem.

Já passou da hora de evoluir.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Textos dos Outros: Antes do Começo

Preciso me acostumar com a companhia a ponto de me tornar inocentemente dependente dela. A reciprocidade deve ser naturalmente recíproca. A espontaneidade precisa atingir nível incalculável o suficiente para se tornar infinita. O passado necessita ter sido completamente revelado, junto com seus pesadelos, sonhos, desejos, insatisfações, segredos, observações, críticas e ironias. Gargalhadas necessitam aparecer constantemente. Não devem existir perguntas sem respostas. Confissões podem ser habituais. Os abraços devem ser feitos com o olhar antes de se tornarem a parte literal da coisa. O presente precisa ser apreciado sem a pressa inconseqüente que impossibilita o conhecimento de quem está diante dos olhos. Precisam existir músicas para lembrar muito mais do que uma única pessoa. Precisam existir músicas para reviver momentos. Momentos livres de cobranças, mas completamente envoltos em expectativa. A curiosidade precisa ter perguntas bonitas, dúvidas intrigantes e mistérios finalmente desvendáveis. Perguntas precisam responder tudo. Alardes não devem ser feitos para ninguém além do espelho. A alegria precisa ser engolida, os desejos precisam ser reprimidos em patamares, a admiração deve estar acima de tudo. O próximo passo só deve ser dado com a coragem enrustida, completamente envolta em descontrole e desejo de ambos os lados. Por “semi-começo”, a precaução surgirá na sua forma pura, querendo proteger o que ninguém mais rouba. A realidade precisa parecer irreal. E como se sabe, tanto componente nessa mistura exige um longo tempo de preparo. Haja disposição. Ops, paixão!

Bruna Vieira

segunda-feira, 28 de março de 2011

A diferença

Sabe que, é tão engraçado parar e ver a capacidade que as coisas têm de mudar em sua vida. E pra você aí que  não acredita na evolução das coisas, compare o modo como se porta, como reage, e como se comporta a uns dois anos atrás. Eu por exemplo, a dois anos atrás escrevia as coisas coloridinhas, usava calças boca de sino, não cuidava do cabelo, roía as unhas e pensava que chorar era um modo fácil *e quase infalível* de conseguir tudo o que quisesse. Algumas coisas não mudaram, como o fato de eu adorar assistir a desenhos animados e comer pipoca de panela com caldo de galinha, digamos que hoje, sou um 30% da pessoa que era a dois anos atrás.
As pessoas evoluem. Elas têm de evoluir. Essa é a lei.
Creio que, para a maioria das pessoas, escutar da boca de todo mundo: "Você já não é mais uma criança, crie responsabilidades" seja algo que, faça refletir. Bem, ao menos ouvir isso me deixa pensativa. O fato de ~ não ser mais uma criança ~ mostra como as coisas passam, e depressa. Sentir saudade da época em que a maior preocupação eram quantas figurinhas faltavam pra completar um álbum. Hoje, com 16 anos me vejo diferente *de muita gente*.
Quando você diz que é diferente, você está dizendo que não segue um padrão de uma sociedade. Nunca soube responder exatamente a essa incógnita. Só sei que, não seguir os padrões é ter personalidade. Defender sua opinião. É reconhecer o erro. E é não ligar pra coisas fúteis e insignificantes, beleza física. É não fazer coisas que todo mundo faz. É ler tudo isso que eu escrevi e pensar, eu sou mesmo aquilo que penso ser?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Textos dos Outros: Confissões

Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente .. um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertecendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade .. quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você. Suas confissões.

Caio F. de Abreu

domingo, 6 de março de 2011

Atitude

E o que fazer quando você se sente preso a alguém? Quando o seu desejo de liberdade é maior que tudo o que se pode imaginar e você sente medo das consequencias de toda e qualquer atitude errada que você possa tomar? O tipo de pessoa que se preocupa muito mais com as outras pessoas do que consigo mesma é o tipo que me remete a honestidade. A generosidade é tamanha ao ponto de sofrer em silêncio sem que mais ninguém saiba o que se passa dentro do seu coração até porque, mesmo se as pessoas soubessem elas lhe diriam a mesma coisa: - Termine logo com isso, você não está feliz. - Como se isso fosse tão simples quanto calçar os sapatos antes de sair de casa. A sensasão de ser o sofrimento de alguém, não sei se deveria agradar, mas quem realmente se importa com isso deve entender do que eu estou falando. A sensação de que você está sim, se preocupando mais com os outros do que consigo mesmo, do que com a felicidade própria, não é daquelas que causa orgulho do tipo: Eu sofro por alguém, me ame me ame me ame. Essa sensação, traz a dor, dor que desorienta, dor que perturba. E aí você pára pra pensar se todo esse sofrimento (que só você sabe que existe) vale a pena, e descobre que até então você gosta mais de você mesmo do que esse alguém gosta de você (Acho que não fui clara, quando a coisa não é tão recíproca quanto parecia, resumidamente). E toma uma atitude que, certamente não sabe de onde tira a própria coragem. E sofre. Sofre porque agora está sozinho e pensa que jamais terá alguém novamente, até que alguém aparece e muda completamente o rumo dessa história.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amores Platônicos

Eu não sei se você sabe o meu nome. Eu não sei se você sabe que eu existo, e pra ser bem sincera: Eu não sei nem de você existe mesmo. Talvez sejam aquelas paixões que você sente por um tempo até a coisa se tornar recíproca e ter um fim. Talvez você me lembre alguém que nem eu mesmo sei quem é. Sei que você mexe comigo. E de forma esquisita. E o pior de tudo: Você não vê as coisas como eu. E de repente eu me pego inventando histórias com você, fazendo planos que jamais se realizarão. Deve ser aquele tipo de amor platônico que todo mundo já sentiu e sofreu algum dia. Sei que é bom. E sei que é meu. Meu sentimento. Sentimendo que me deixa feliz, e que eu não sinto a necessidade de compartilhar com ninguém. Não sei se você sabe do que eu estou falando, na verdade, nem eu mesma sei so que estou falando. Não sei se o nome disso é sentimento, porque sempre dizem que sentimento BOM, é aquele que a gente compartilha com alguém. Acho que sou uma daquelas excessões bobas, e me sinto feliz guardando esse sentimento só pra mim. Eu aqui, você aí. Sem saber de nada. E que continue desse jeito até que eu possa ver que nem tudo o que se quer, se tem. Obrigado por me fazer feliz, mesmo sem fazer ideia de quem sou, de que eu existo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Textos dos Outros: Arrumando a Bagunça

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.  Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

Caio Fernando de Abreu