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terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu, caçadora de você

     Andava pela rua, aflita como se não quisesse nada. Mas eu queria. Queria sair do prédio e te ver do outro lado da calçada, caminhando distraído. Aí eu ia atravessar a rua sem pretexto algum e numa falsa surpresa te daria um: oi, você por aqui? Ia morrer de vontade de te perguntar qual o teu destino, mas não o faria. Pelo ou menos, não hoje. Esperaria que você o fizesse. Na verdade, eu esperaria mesmo é que você me acompanhasse. Se oferecesse pra levar a minha pasta nada pesada e me contasse a primeira coisa que lhe viesse á cabeça. Eu ia dizer qualquer coisa idiota que lhe fizesse sorrir. Aliás, eu esperaria muito ver as covinhas do teu sorriso. Ainda to tentando descobrir se sou apaixonada por você, pelos teus olhos ou pelo som da tua voz.
     Mas existe um porém. Eu não faria absolutamente nada do que disse até então. Eu ia te ver lá, do outro lado, baixaria a cabeça e andaria o passo mais apressado que pudesse fazer. Por quê? Porque eu não sou assim. De tomar atitudes. Porque cansei de esperar dos outros e não esperar de mim.  Virei caçadora de você. Sempre que vejo cabelos cacheados passando pela rua, espero que sejam os teus.  Pareço uma pessoa perturbada caminhando pela rua, te buscando em cada olhar, em cada som, em cada cheiro. Não devia ser assim.  Agora estou aqui, andando pela rua e... espera! Acho que acabei de te ver do outro lado da rua. Ei, pssiu. Oi, você por aqui?

sábado, 23 de julho de 2011

A Moça que tinha Olhos de Ressaca

Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mar de falsas palavras

Você venceu. Venceu. Venceu, Venceu. Estou aqui, submissa aos teus desejos. Faça o que quiser de mim, mas, principalmente, me faça feliz. Pelo ou menos por hoje. Só não me faça promessas. Tenho medo, de acreditar em todas elas. Não pede meu telefone. Não diz que vai me ligar. Não quero ficar com o celular na mão esperando por um sinal de vida e, me sentindo tola por fazer isso. Não me ama. Não diz que me ama. Eu não quero acreditar. Não quero gostar de você. Não posso. Não posso. Não posso. Porque eu sei que se gostar de você, você vai embora. Como todos os outros. Você fala bonito. Tenho certeza de que me convenceria de qualquer coisa num estalar de dedos. Não me enche de expectativa, não transforma meus sonhos em pó. Minha alergia não ia suportar e eu ia espirrar feito louca. Me passa segurança. Me passa insegurança. Me abraça, cuida de mim. Preenche esse espaço dentro do meu peito de forma com que eu não precise pensar em mais nada. De forma com que eu não precise me preocupar com mais nada. Cansei, por um momento de ser inconstante. Quem sabe daqui a 5 ou 10 minutos eu queira estar mais uma vez submersa nesse mar de falsas palavras, mas aí, se você se dispuser a salvar uma jovem dama de afogar-se em ilusões criadas pela própria cabeça, me resgata. Me pega no colo e me leva pra onde quiser. Prometo não contestar. Fingir que perdi a consciência. Mas só se você prometer, que não vai me prometer nada. 

Ps.: Roubei o título do texto no blog de um amigo meu. Mas rafa, foi só o título, eu juro. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

De mal a pior ainda

Eu relativamente me empolguei com isso. Estava começando a aceitar a ideia de que poderia dar certo. Graças a Deus, usei o bom-censo, a coragem e a cara de pau. Parece ridículo, mas sim, procurei a cartomante.Eu poderia muito bem pedir conselhos ás minhas confidentes, mas, eu já sabia o que elas me diriam. Digamos que os anos de convivência fizeram assim. Uma pena, vou ter que pagar por isso. Entrei no carro e minhas mãos suavam descontroladamente. O caminho parecia nunca terminar. Confesso, que me senti uma completa idiota. Imaginei a tal da cartomante como uma senhora velha, enrugada e com tudo em cima - dos joelhos, é claro-. Coloquei-lhe, na minha pobre imaginação, um turbante cheio de brilhos e parafernálias que me chamassem a atenção, tirando os olhos dos dentes amarelados e do sotaque um tanto quanto místico. Comecei a  rir. Não da pobre senhora mas da minha imaginação tão óbvia de gente tola que acompanha novela das 11. Eu ia chegar lá e o que? Oi, ele tá com outra? Ela ia me dizer o óbvio. O que eu queria ouvir. Continuei na linha de raciocínio, de imaginar a imagem da pobre cartomante. Eca. Que nojo. Imaginei - lhe na cara uma verruga cabeluda que me causou repulsa. Estacionei. coloquei a testa sobre o volante e hesitei, mais uma vez, o porque de que estar fazendo algo que desde que me conheço por gente, julgo ser o ápice da babaquice. Olhei para a porta do estabelecimento mal acabado e vi uma velha senhora saindo aos prantos. A cartomante deve ser masoquista. Que nojo. Pensei na verruga cabeluda novamente. Isso bastou para que ligasse o motor do carro e procurasse ajuda gratuita. Alô? Guria? Preciso falar contigo...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

2O de julho de 2O11


Nesse texto, eu não vou criar um personagem. Não vou inventar ou mentir sobre qualquer coisa. Não é dia de fazer isso. Não é um dia comum. Não deve ser tratado como um dia comum. Hoje é dia de mostrar pra aqueles que sempre estiveram do seu lado, que é ali que devem permanecer. É dia de fortalecer. Dia de um: Cara, eu te amo! Sincero. É dia de parar e lembrar de todas as cenas felizes do lado dos teus amigos de verdade. E eu vim aqui, mais uma vez, agradecer do fundo do meu coração por cada amigo relíquia que o cara lá de cima colocou no meu caminho. Olha, se eu pudesse, pegava um carro e ia visitar cada um de vocês. Olharia dentro do olho de cada um e, aos prantos, bem como eu sou de verdade, cantaria uma das músicas mais lindas que eu conheço: “É preciso o caminho enfrentar, quando o tempo difícil chegar”. Obrigado por não deixarem de lado esse sentimento, de amizade lindo, que só vocês sabem sentir e demonstrar.  Obrigado por serem donos dos sorrisos mais lindos do mundo.  Por serem os psicólogos mais mal-remunerados do Brasil. “Não vou te deixar, vou te amar, estarei sempre contigo. Seja inverno, ou verão, alegra o teu coração. Serei o teu abrigo” Jamais, eu disse, jamais esqueçam de todos os momentos que passamos juntos. E quando eu digo que vocês podem contar comigo, não é da boca pra fora. Hoje em dia, muitas pessoas dizem coisas da boca pra fora, mas, quando elas são ditas do fundo do coração qualquer um compreende o significado verdadeiro delas.  Queria agradecer aqui, cada vez que um de vocês dividiu um guarda-chuva comigo. Por mais pequeno que ele fosse. Molhando o braço. A bunda. Molhando tudo.  Obrigado por me levarem nas costas. Obrigado por ligar de madrugada na casa dos outros pedindo ‘Aí, tem um carro de gelo estacionado aí na frente?’ Obrigado por assistirem boa parte das temporadas de Rebelde até altas horas e cantarem feito idiotas  como se estivessem dentro da televisão.  Obrigada por dançarem músicas de gente corna e ainda por cima rirem de tudo isso. Obrigado por rir e lembrar do passado. Obrigado por abraçarem a minha cabeça pelo fato de os meus 1,54 não alcançarem os braços de vocês. “Cada lágrima que cai, fortalece-nos mais. Sempre serei teu amigo” Obrigado por cada: Me dá um abraço? Aliás, eu jamais, negaria um abraço a vocês. Não o peçam. Não questionem.  Obrigado por me girarem no colo. Por atenderem o telefone de madrugada quando eu ligo pra dizer: Aí, feliz dia do amigo. E não me xingarem. Obrigado por perdoarem as minhas dívidas monetárias de lanche da escola e afins. Obrigado por gritarem comigo no meio da rua. Por fazer quem ta junto com a gente, passar vergonha, e, consequentemente passar vergonha também. Vocês são as coisas mais preciosas da face da terra. E eu queria que vocês soubessem disso.  Eu não vou citar nomes. Quem sabe que é de verdade, sabe.  E é pra vocês, que são de verdade que eu deixo o meu feliz dia do amigo. 

Love u all 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mono Liso dos Olhos Meus

Ele era lindo. Lindo mesmo. Lindo pra cassilda. Droga, desgraça. Invoquei a nação dos nomes feios. Que diabos aquela filhote de grilo tanto fala com ele? Ele é meu. Embora não saiba, mas é! Sai daí, desgraçada. Deixa de poluir a minha visão. Escuta aqui, você também, ô deus grego. Tira já essa mão da cintura dessa pintura de Pablo Picasso. Para de sorrir. Quer dizer, não para não. Seus dentes, lindos eles hein, parabéns. E o seu cabelo e... Pera aí, o que os dedos da filha da mãe estão fazendo nos meus fios de cabelo? Ah não, tenho que impedir que esse ato seja consumado. Amiga, me segura. Vou impedir um gol. Esse artilheiro é meu e ninguém tasca. Embora ele não saiba, é meu sim. Tô sendo egoísta? Tô. Ele é meu, só de vista. Assim como a Monalisa era de Da Vinci. Não fui eu a criadora dessa criatura divina, mas poderia ficar ali, admirando tamanha beleza durante horas. Poxa vida, estou me submetendo a uma cena ridícula. Fitar alguém, sem disfarçar é como se fosse um "ah se eu te pego, não te largo". Tá, vou disfarçar. Mentira, não vou não. Espera, eu conheço essa música. Conheço essa história. Conheço aquela garota. Eita, que mão é essa na minha cintura? Que coisa linda é essa na minha frente? Que proeza capilar é essa dentre os dedos meus? É, Eliana. Tudo é possível.  Digamos que ele era um pouquinho meu, de fato. E isso é bom. Mentira, isso é bom demais pra mim. Mas falando sério, eu mereço, tô uma gata hoje.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Verbo Endomingar

Sabe, cansei de ter pressa. Pressa de que as coisas aconteçam, de que elas tenham obrigação de acontecer. Cansei de ter pressa na hora de arrumar o cabelo, de arrumar o quarto, de sair de casa pela manhã. Cansei de pedir pro tempo passar rápido. Cansei de caminhar depressa, de ter que pensar depressa. Quem sabe esse cansaço todo seja preguiça. Cansei de sentir frio, de reclamar que sinto frio. Cansei de pensar que as coisas vão dar errado, pra não me decepcionar. Cansei. Apaguei todas as mensagens do meu celular. Apaguei toda e qualquer coisa que me faça lembrar você. Cansei de me lamuriar vendo casais de mãos dadas na rua. Cansei de sentir inveja da beleza alheia. Cansei de ouvir. Cansei de ler. Cansei de cansar. Que vontade de viver! Passou. Quer saber? Olha a minha cama. Ela não para de me chamar. Vem cá deitar guria. Acho que vou lá. Pensar em pessoas que nem fazem ideia de que eu penso. Assistir faustão e rir do figurino ridículo das dançarinas. Reclamar que amanhã é segunda feira, e que eu estou sozinha em casa. Ah, menina, deixa pra viver amanhã. Agora é hora de hibernar. Endominguei.

sábado, 9 de julho de 2011

Mais uma vez

Mais Uma Vez - Renato Russo

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança


sexta-feira, 8 de julho de 2011

3 Pedacinhos de Alma

Vocês estão me excluindo! Claro que não. Aquelas duas falavam feito papagaias. E eu ali, sem saber ou entender de nada. Assisti a conversa das duas. Quieta. Atenta, vai que eu dou uma de malandra e pego qualquer informação no ar? Então, eu fui lá falar com ele hoje. O que? Eu não acredito que tu fez isso. Ai, eu precisava dizer que não aguentava mais aquele bosta. Espera, tu não disse que tava na de outro. Disse? Claro que não. Melhor assim. Mas eu disse que ainda gostava dele, só não o queria por perto. Ai guria, tu é uma idiota. Que?  Arregalei os olhos. Meu Deus, eu estava completamente por fora de tudo. Onde eu estive todo esse tempo? Me arrependo amargamente de nunca ter escrito sequer uma ou duas linhas sobre vocês. Eu poderia descrever mil coisas. Poderia falar que amo ser retardada ao lado de vocês. Que embora que não compreenda a sinceridade exagerada que vocês usam nas palavras, eu as entendo - e aguento - todos os dias. Mas não. Eu prefiro agradecer. Obrigado por fazerem a 'dança maluca' que só Deus sabe como é. Obrigado por cada abraço apertado. Por cada abraço bom. Obrigado por não pararem de falar um segundo sequer. Obrigado por entenderem as coisas que eu não entendo. Tipo, matemática. Obrigada pela malandragem. Obrigada pela coragem que vocês enfiam nessa cabecinha oca de que a gente tem que fazer o que quer, o que gosta, e o que dá dinheiro pra que futuramente façamos as nossas noitadas, de gente grande. Obrigada pelos 'tira isso roberta, olha que feio'. Obrigado por não gostarem de quem eu não gosto. Obrigado pelo tempo gasto na frente do espelho, e pelas horas de fofoca da vida alheia. Obrigado por aturar os rios de lágrimas que derramo constantemente. Eu sei que não é fácil me aturar. Aliás, obrigado por me aturar - ou parabéns, sei lá - . Obrigado por não desistirem de mim. Sério. Obrigada pelos: ' amiga olha pra mim, tô poderosa, tô tão linda que posso até usar a capa da invisibilidade do Harry Potter, tô sedutora, tô a cara do Bob Marley'. Tá aí. Alguma coisa eu escrevi pra vocês. Acho que posso chamar você de anjinhos. Tá, vocês não ficariam musas usando um par de asas. Pensando bem, vocês definitivamente não têm cara de anjinhos. Vou chamar vocês de amigas. Tá aí, esse apelido é a cara de vocês.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ponto Final

Pois acredite que tudo o que vivemos não foi por acaso mas, este é o ponto final para nós. Dizer que o problema desde o princípio estava em mim, parece a coisa mais clichê que toda – e qualquer – pessoa já disse a alguém a fim de se ver livre de coisas que já não lhe faziam felizes, mas esta é a verdade, querendo ou não. Eu errei, me desculpe. Errei na busca da pessoa a que confiaria minha alma mas, esse tempo que passei junto a ti mostrou - me o quanto somos diferentes e o quanto possíveis desilusões sobre meu futuro próximo poderiam me fazer cair. Eu errei, e tu não tens nada a ver com isso. Acredite que, você não fez absolutamente nada para que as coisas mudassem dessa maneira em mim. Me perdoe por ser assim, um tanto quanto inconstante mas existem coisas que você precisa entender. Não estou dizendo para que não sofras e também não lhe direi: - Tu vais encontrar alguém. Alguém melhor do que fui , alguém que te faça mais feliz do que fiz.
Não encare isso como o fim de uma história. Encare isso como um recomeço. Um recomeço para cada um de nós. Queria te agradecer por me fazer feliz durante todo esse tempo e também, por deixar em mim essas lembranças que hoje me fazem acreditar que tudo valeu a pena.

Ps.: Esse texto fora escrito a muito tempo atrás. A história não é minha. É mais uma da tag 'inventei'. Ele havia sido publicado a muito tempo, mas fora mal interpretado. Ressuscitei o dito cujo, e aí está.

Feia, a Bela

Magra, loira, olhos verdes, peitão. Linda. Cabelos impecáveis e claro, nome bonito. Raquel. Amanda. Rosana. Falta alguma coisa, preciso lembrar. Vai que até o final da trama, de repente eu (re)descubra o que é. Quero dizer, vamos redefinir beleza? Mostra a literatura, que na época do renascimento as gordinhas eram mais atraentes. Os tempos mudaram. A circunferência que a fita métrica deve fazer na cintura das mulheres também mudou. Comer menos, se tornou absolutamente questão de vida ou morte para muitas adolescentes de hoje em dia. Anorexia é um assunto sério. É um assunto amplo. Mas eu não sou médica, psicóloga muito menos entendedora do assunto. Anorexia não é o assunto. O assunto é a necessidade de ter tudo em cima pra ser aceito em qualquer lugar. Cabelo bonito. Curvas. Dentes brancos. Alo, sociedade. Cadê os valores? Cadê a inteligência? Cadê? E agora essa é para vocês, homens: Quando vocês estiverem sozinhos, com uma 'linda gostosa boa', e quiserem compartilhar qualquer coisa, palavras de alento, de carinho, de conhecimento e a 'linda gostosa boa' não souber - ou não tiver - o que lhe dizer, você se contentaria em passar dias e dias apenas apalpando-lhe as saliências? Tenho medo da resposta. Talvez seja mesmo, por isso, que exista uma grande porcentagem de 'lindas gostosas boas' na face da Terra. Olha só, de repente redescobri o que lhes falta: cérebro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caso de inverno

Segurei na mão dele. Deixei que me levasse para onde quisesse. Me leva pro teu mundo, pra tua vida, pra tua casa. Eu não sabia exatamente para onde estávamos indo. Nem ele. O simples fato de estarmos juntos já nos fazia um só. Já nos fazia as pessoas mais felizes do mundo. Segurei na mão dele. Adrenalina. Nós não devíamos estar juntos. Não podíamos. Mas queríamos. Ele me conduziu até a sombra da árvore mais feia que eu já vi. Mas naquele momento, senti que era ali que devíamos estar. Hoje, passo por lá e sorrio, lembrando - me das doces palavras que fizeram meu coração bombear mais sangue que o normal. Você é realmente linda, eu tenho sorte demais. Cala a boca, olha essa cara minada de espinha e esse nariz de batata, tem certeza do que tá dizendo? Eu não ligo. Para de mentir. Não tô mentindo. Você diz isso para todas? Digo. Ainda tem a cara de pau de me dizer as mesmas coisas? Tenho. Você é igual a todos os outros. Eu te amo. Disse isso para todas as outras também? Não. Está mentindo. É nisso que você acredita? Não, eu não consigo imaginar você mentindo para mim. Está vendo? Vendo o que? Que o amor é recíproco. Eu não sabia se aquilo, era amor de fato. Sabia que era lindo. Sabia que ele poderia me fazer feliz. Por mais que essa felicidade durassem seilá, 2 dias, 2 horas, 1 minuto e meio. Sabia também, que não me esqueceria dele tão cedo. Ele fora o mais sincero de todos eles. Não deixou se sair do padrão, só tinha algo a mais. Tinha sinceridade nos olhos. Alias, que lindos olhos, puta que pariu.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Textos dos Outros: Eu preciso saber

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada.
Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.

sábado, 2 de julho de 2011

Ilusão de banco de praça

E nós estávamos sentados lá. Numa praça. Eu podia ver os olhos que se fixavam em mim. Ah, que lugarzinho de merda fomos escolher para isso. Afinal, de que "isso" estamos falando? Ele só me chamou pra sair, espairecer. Ei, o que você acha de sairmos na quarta? Hm, quarta feira tá bom. Todos os dias me pareciam ótimos. Principalmente se fossem para sair com ele. Mas a malícia dessa história estava na cabeça dele, eu era ingênua, ingênua pra caramba. Quarta feira, estava ele lá, sentado naquele banco. Passei maquiagem, muita maquiagem, aliás, que maneira mais ridícula de tentar esconder os defeitos, não? Uma hora ou outra um cosmético acaba, e querendo ou não, maquiagem demais estraga a gente. Estraga caráter. Ele me disse que eu estava linda. E eu acreditei. Começamos a nos olhar feito idiotas. Tá e aí? E aí o que? Tascou-me um beijo. Dois, três. Espera. Você não quer conversar, aliás, não devia ser assim? E sobre o que você quer falar? Seilá, me pede como foi o meu dia. Tá, como foi o seu dia? Foi bom. E o seu. Também, agora podemos continuar? Tá. Conversar com ele parecia - e era - impossível. De repente, surgem cerca de 10 ou 12 "brothers", gritando como se seilá, o  grêmio tivesse feito um gol na final do campeonato. Olhei incrédula para ele. Ele sorriu. Aquela manada de adolescentes me serviu de companhia para chegar ao menos em casa. E ele? Ah, ele foi mais um idiota na minha vida.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Friday, 01

Chuva lá fora. Obrigado, São Pedro, nada demais pode ser feito. Uma janela, me parece interessante. Sentei á beira, sozinha, cadeira dura. Nada estava a minha volta. Pus em mãos o meu violão. Estava frio demais para que pudesse ser fácil trocar com leveza de uma nota para a outra. Doíam-me as articulações. Insisti. Toquei a nossa música. Por que diabos fui tocar a nossa música? Nunca senti algo parecido. Não sei definir o que era, e nem vou me esforçar para que isso aconteça. É como se fizesse mais frio do lado de dentro do meu peito do que lá fora. Isso não me fez bem. Desisti de tentar preencher o silêncio - e o vazio - de mim e daquele lugar.Comecei a pensar em toda a nossa história, e depois de cada pedaço de lembrança que me vinha em mente, lembrava-me das 72 horas em que amargurei, que chorei por qualquer coisa, que não sorri e que fiquei totalmente feia e desfigurada depois de chorar feito uma adolescente em crise. Eu que pensava que estava totalmente recuperada dos traumas deixados em mim, aliás, a vida é tão complicada assim? Pensar nela e nas pessoas, de repente se tornou algo triste. Não devia ser assim. Não deve ser assim. Alguma coisa de repente me fez acordar, voltar para aquele lugar: Ei, você! O que pensa que está fazendo? Sai dessa janela. Para de perder tempo. Vá já, vá agora, fazer qualquer coisa. Não entre no meio de uma crise existencial. Não agora. Deixa de fazer drama. Não seja ridícula. Olhar e admirar o vazio da chuva é para poetas. Só está chovendo lá fora.