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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"Eu tô ficando velha, eu tô ficando Louca!"


Um dia desses ainda fico louca! Como pôde Deus ter me dado uma mente tão fantasiosa? Vejo coisa onde não tem, imagino gente que não existe e, daqui a pouco, William Bonner vai começar a conversar comigo! Existe remédio pra gente maluca assim, como eu? Deve ser por isso que o tempo (ou eu mesma, de fato) tenha criado essa barreira ao meu redor na hora da socialização. Uma vez, parecia mais fácil: era só cumprimentar, contar um pedaço da vida e pronto, já tínhamos amigos para a vida toda. Hoje parece tão mais difícil...

Será a maioridade? Serão as pessoas? Será que o problema tá é comigo? Essa mania de achar que eu estou sempre certa me leva a crer que o problema não está na terceira opção, mas e se for? O que é que a gente faz pra passar toda essa maluquisse de alguém que só quer ser normal? Isso é normal? Quantas perguntas mais eu vou ter que me fazer? 

Não, a maioridade não pode ser. Depois dela é que nascem os dentes do juízo, e se são do juízo, devem trazer alguma coisa boa, não? Depois dela é que se pode dirigir e só depois dela é que somos responsáveis por nós mesmos... Não, acho que não seriam as pessoas, apesar de todas as coisas que elas fazem - por muitas vezes absurdamente incompreensíveis - ainda existem as boas. 

Acho que sou eu. 

Até essa renúncia do papa me fez pensar. Será que existe alguma coisa por tras disso? Será que aquela história dos illuminatis é real ou é tudo fantasia da minha cabeça? Porque é que essa ideia de que tudo tem um lado obscuro me ronda incansavelmente e me cega? Como faz pra viver na realidade? Ou, melhor: como a gente aprende a separar a fantasia da realidade? Oh, dúvida cruel.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Escritor / Heroi


Sim! Dentre as pessoas mais corajosas desse mundo (bombeiros, policiais, o super-homens) estão eles. Desbravadores da opinião pública, sujeitos a apedrejamentos e palavras de mal grado, escritores. Me pergunto se no mundo existiria alguém que mais os ama e inveja ao mesmo tempo quanto eu. Ah, Fabrício Carpinejar, queria eu ter a coragem de falar do amor sem medo, de expor na cabeça (como sempre renovas) o sentimento que se sente diante de alguém ou de alguma.

Ver amor, amor, inconstância. Tati, minha linda. Já quis tanto esfregar um texto seu na cara de alguém que às vezes me pergunto se isso não seria pecado. Desejar ter escrito 90% das coisas que escreveste e publicá – las. "Publicar", tá aí o problema. Stella, Caio, Martha... Se alguém, algum dia, souber me dizer e puder me ensinar como é que a gente faz pra não ver maldade em quase todas as coisas, que me procure! Porque estou, definitivamente, começando a ficar preocupada comigo: ou eu só eu vejo o lado ruim das coisas ou o lado ruim das coisas existe em quase todas elas.

Me sinto em apuros: quero escrever mas não sei se suporto. Como é que vocês fazem? Ignoram? Revidam? Fingem que não vêem? To precisando de ajuda. Tem um monte de coisa presa na minha garganta que precisa ser dita.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Vida é Um Ônibus


A cada dia que passa me convenço cada vez mais de que a vida é um ônibus. Essa história de que ela é passageira, pra mim não faz sentido: os passageiros da vida somos nós. Quando nascemos, entramos numa linha em que o roteiro se desconhece. Quando jovens, temos motoristas experientes (por vezes nem tanto assim) que conduzem brilhantemente nosso caminho e nos incentivam a fazer escolhas. Passageiros entram, pegam carona, compartilham histórias (e fazem parte da nossa), mas quando menos se espera eles descem. Perto de casa? Não sei. Porque descem? Porque têm de descer, por que cansaram ou porque definitivamente chegou “a hora”.

Existem pessoas que quando descem, não partem definitivamente, e, se partem, permanecem. Permanecem no coração e nas lembranças. No cheiro que deixaram no banco o qual passaram anos, meses, a vida toda sentadas. A morte não é fácil. Não pra quem permanece, mas ela é natural. Hora ou outra, todos morreremos. Novos, velhos, na meia idade... A hora de todo mundo chega. Não estou aqui para dizer que deve – se aceitá - la sem sentir a perda. Perder nunca é bom, mas ensina.

Perder num jogo de xadrez mostra que deve – se aprimorar a estratégia de jogo. Perder o celular mostra que deve – se estar mais atento às coisas que se faz, mas a perda de uma pessoa mostra uma coisa muito mais importante: mostra que a gente tem que viver. Viver bem, intensamente. Ela mostra que a vida é um ônibus, e deve – se aproveitar a viagem para que quando a hora de descer chegar, outras pessoas entendam a importância e o sentido real da vida.


Texto dedicado à minha amiga Karine: que tu sejas muito feliz, e aprenda a superar esse e muitos outros obstáculos que a vida vier a te impor. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

2013 Oportunidades


Todo começo de ano é assim: ninguém quer deixar as coisas como estão. Pelo ou menos eu é que não quero. Nunca parei pra estabelecer metas, sabe? Minha vida nunca teve tanta oscilação  e como as coisas sempre continuavam iguais, me acomodei. Errado. Muito, muito, muito errado. O comodismo de longe deve contentar as pessoas. De longe deve se estabelecer na vida delas e de longe deve ser encarado como um modo de vida. É por isso que as metas e objetivos são tão importantes na vida de uma pessoa. É por isso que 2013 vai ser diferente. Não porque entrei na faculdade e as coisas no trabalho vão ser um pouco diferentes, mas porque eu decidi agir. Sabe aquele papo de ser espectador da própria vida? É, chega.

1. Parar de achar que é sempre comigo.
Deixar de nóia. Deixar de pensar que toda indiretinha idiota é pra mim. De pensar coisa ruim, de negatividade. Quero paz de espírito, paz de mim. Chega de guerra, Roberta!

2. Levar a faculdade e o trabalho a sério.
18 anos não é brincadeira. É responsabilidade, seriedade, começo de futuro. Investir agora, colher depois.  Tomara que PP só me traga coisa boa e me faça feliz.

3. Economizar uma graninha.
Tem gente que economiza pra fazer tatuagem, pra comprar roupa e eu só quero um box de câmera profissa + fusca. É pedir muito, papai do céu? Não quero ser mão de vaca, mas a graninha pra vocês dois eu vou guardar viu? Me aguardem! Mas pera, olha que linda essa blusinha...

4. Sem estress.
Respirar, deixar a vida fazer as coisas ao seu curso natural, sem estress. Andar de pé descalço, beijar de pé, não cobrar tanto da vida, da felicidade, do meu namorado. (Isso inclui o ciuminho meu de cada dia, pra que não vire um ciumão que sufoque tanto deixando meu mundo sem ar).

5. Ler mais, bem mais.
Essa é pra fechar. Vou fazer uma biblioteca em casa e um acervo dela na minha cabeça. Ler enriquece vocabulário, dá asas à criatividade (que vai ser muito útil quando eu for uma publicitária famosona) e te deixa mais legal. Mais legal pra lidar com as pessoas e com as situações. Mais legal na hora de perceber as coisas. Melhor.

Tem mais. Mas o resto eu vou deixar em cima da minha mesinha pra não esquecer de lembrar de ser feliz. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Difíceis Separações

       
Dias atrás, rindo de antigas histórias que o tempo não consegue apagar, sorri. Sorri um sorriso de sentir as bochechas espremerem, e deu saudade. Foi como se as coisas acontecessem ali, numa apresentação em sépia que pairava por entre meus olhos. Meu pai, calorosamente dando palmadas na coxa me fazendo correr para o seu colo afim de me dizer algo sério. Assunto de gente adulta.  "Roberta, vamos fazer uma troca? Tu taca teu bico na lareira e eu te dou a Boneca Baby Barriguinha" Aquilo era muito sério. Ou a boneca, ou o bico. E na lareira, não ia dar pra pegar de volta. Mas era a Baby Barriguinha, alguém lembra da Baby Barriguinha? É! Aquela que a gente aperta a mamadeira e a barriga dela incha... Sabe? Eu sabia, e como queria.

Minha mãe sentada ao lado dele (só pra sentir a seriedade do assunto) me avisou que se eu optasse pela boneca não ia ter volta. Não ia ter outro bico e aquilo me deixou indecisa. Pensei nos momentos felizes que eu e a chupeta vivemos e, com muito dó, taquei ela no fogo. Sabe quando  pai e mãe babam no filho quando ele faz alguma coisa que nunca fez e ficam feito crianças batendo palmas e gritando "ÊÊÊÊÊ!!" pra criança ver que fez uma coisa ótima? Fiquei triste pelo bico mas ver meus pais gritando e batendo palmas pra mim e imaginar que logo logo eu teria a Baby Barriguinha só pra mim amenizou  a separação tão importante na vida de uma criança. Quase tão importante quanto as fraldas (que também têm uma história muito curiosa no meu caso: não acostumada com a ideia de ficar sem elas parecia um cachorrinho fazendo cocô pela casa toda e meus pais também gritavam "ÊÊÊÊÊ!!" quando isso acontecia).

São separações difíceis as quais somos impostos a vida inteira. Abandonar a creche. Amigos. A escola, e isso é tudo realmente desafioso. Mas a separação mais difícil de uma pessoa deve ser quando ela sai de casa. Quando ela deixa de ver seus pais todos os dias e de ter o café da manhã posto na mesa sempre. Ou pior ainda, quando os pais partem, descansam e o chão some. Deus que me livre, quero eu que isso seja tão fácil quanto trocar o bico pela Baby Barriguinha e ter na mente os dois com cara de abobados gritando "ÊÊÊÊ!!" enquanto eu fazia cocôs pela casa toda.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Velha Chata


Não tem coisa que mais me mete medo do que envelhecer sozinha. Ter lá meus 70 e poucos anos e viver no silêncio de uma casa vazia. De acordar de mau humor e ir dormir do mesmo jeito. Quer dizer, até que tem. Viver triste, pra baixo, chata mesmo.Tenho observado muito aos velhinhos quando passo por eles na rua. Espero que eles não achem isso estranho, mas costumo ver onde eles mais têm rugas. Se na testa, de preocupação, se na boca, de tristeza. Se debaixo do olhos, de choradeza. (Choro + Tristeza), se nas bochechas, de tanto sorrir.

Mas eu não tenho esse medo por nada não. É que eu conheci uma velha chata. Ela tinha rugas na testa, na boca e debaixo dos olhos. Encontrei ela na fila de uma lotérica e ela só sabia reclamar do tamanho da fila. E quando chegou no caixa, só sabia reclamar das contas. E quando olhou pro caixa, da demora do atendimento. E quando saiu da lotérica, do degrau da porta. Deus que me livre, mas ela era muito chata. Coitadinhos dos filhos dela. Ah é! Já ia me esquecendo: Morro de medo também de que meus filhos não gostem da minha pessoa por ser tão chata. Ou meu bom e velhinho marido. Ou todo mundo.

Só sei que, na verdade, eu não queria aquela vida pra mim. Não quero. Não vou querer nunquinha. Não sei que tipo de velha vou ser, e é até meio precoce pensar nesse tipo de coisa antes dos 50, mas eu sei o que eu não quero ser desde já, e isso me basta. Pelo ou menos por enquanto.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Passa a Poder


       Gosto de boas conversas. No meio de uma dessas "boas conversas" que a vida me deu de presente, eu e meu pai conversávamos sobre o que significa "ser adulto". Esse assunto surgiu no meu aniversário quando o passei com pouquíssimas pessoas ao meu lado. Minha família sempre juntou um monte de gente nessas datas comemorativas. Um monte. "Mas pai, justo no meu aniversário de 18 ninguém apareceu aqui em casa, porque?" Sério. Isso me intrigou muito. Acordei no dia seguinte não querendo nem mais comparecer à ceia de natal pra desejar um "Aeee, feliz natal, família!" já que ninguém compareceu à minha casa no meu dia pra me dizer "Aeee, parabéns! Agora já pode até ser presa hein!". Boa chorona que sou, chorei. Como pude ficar tão obsoleta na vida das pessoas?
       Aí meu pai, dotado de uma sabedoria que só a experiência de vida pode presentear, deu - me uma lição de vida que tenho certeza que vou contar até pros meus filhos. Ele me contou que a sociedade de hoje já está acostumada com o descaso para com os outros e que a vida de adulto é assim mesmo. O tempo passa e a gente acaba perdendo muita coisa pelo caminho, e algumas dessas coisas são as pessoas que tínhamos ao nosso lado quando éramos crianças e que, quem realmente importa nunca vai estar longe, nunca vai esquecer, mesmo que a léguas de distância.
       Isso me chocou. Será que isso acontece com todo mundo quando vira adulto do nada como eu? Essa coisa chata de ter que ficar sozinho e não ter mais "festa" de aniversário e só uma "comemoraçãozinha prosmaischegado"? 
       Bom, como prometi a mim mesma que sempre tentaria enxergar o lado positivo das coisas, aqui vou eu: Atingir a maioridade tem lá seus bons efeitos. Lugares que você não poderia visitar, você passa a poder. Coisas que você não poderia a ler, passa a poder. Coisas que gostaria de assistir - não pornografia, no meu caso hehe - você passa a poder. As crianças começam a te chamar de TIO e TIA e isso é muito legal. Eu sempre achei. Você passa a poder fazer coisas sem a necessidade da permissão dos seus pais e pode dirigir um automóvel. Pode comprar coisas no seu nome e comprar um fusca. Você, finalmente, é "dono de si" e desculpa esse tanto de aspas que eu usei nesse texto, mas você passa a viver "com as próprias pernas".

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Um pedaço do Relicário

"Pular no teu ombro. Subir nas tuas costas. Te machucar de algum jeitinho o tempo todo. Fitar teu sorriso, teu cabelo, cada piscadela do teu olho. Te ver sentado no sofá, ver o espaço vazio do lado e mesmo assim preferir o teu colo. Passar a mão por entre os teus fios de cabelo. Preencher o espaço que existe por entre os meus dedos com os teus dedos. Te fazer cócegas. Te fazer rir, sorrir. Suspirar ao ouvir tua voz. Suspirar ao sentir o toque do beijo teu. Fechar os olhos e sorrir ao lembrar de cada uma dessas coisas."

Esse é do tempo do tumblr. Deu saudade, corri pra cá mostrar.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Não Caia do Cavalo Tarde Demais


      Ela esperou o príncipe encantado, ele a salvou e ambos foram felizes para sempre. 
     Desde criança, meus pais, mais especificadamente minha mãe, zelaram pela minha individualidade. Minha educação se baseou no intuito de crescer independente - não que eu seja independente, ou esteja muito perto disso, bem pelo contrário -, de que quando a idade adulta de mim se aproximasse eu não precisasse de ninguém pra sobreviver. 
     Cresci ouvindo histórias de princesas que ficavam presas em torres e de outras que só acordavam com o beijo do príncipe. Cresci ouvindo do mundo inteiro que eu tinha obrigação de encontrar o dito cujo montado num cavalo branco pra encontrar a felicidade eterna. Por sorte, descobri ainda criança que essas histórias eram "mentiras" e que eu devia seguir a minha vida do jeito que bem entendesse. Nada a ver com  feminismo, mas tudo me leva a crer que os contos levam as meninas a viverem num ideal de submissão e necessidade de atenção da raça masculina. Talvez seja esse o motivo de ver tanta foto no face de guria mostrando a ponta do mamilo pra todo mundo ver. Né? 
     Pesquisei muito sobre e, por mais que vivamos numa sociedade moderna onde o sexo não é coisa pra se deixar só pra depois do casamento, existe atualmente uma regra vivida no relacionamento interpessoal  da "Lei da Oferta e Procura" que a gente estuda na escola mesmo. Resumidamente, essa lei é a quantidade disponível do produto colocado à venda. Quando esta quantidade é inferior ao consumo o preço sobe; quando se dá o inverso, o preço cai. Ok, a comparação não necessita de explicações.
     A historiadora americana Riane Eisler afirma que “essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe, status e riqueza.Em última análise a mensagem dos ‘inocentes’ contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.”
     Garotas, não vivam a busca de alguém perfeito que não existe. Não coloquem na vitrine aquilo que vocês mais tem de precioso. Tem tanto cara legal por aí, não é mostrando o útero numa minissaia que encontra alguém pra partilhar de momentos felizes, ou é?

domingo, 26 de agosto de 2012

Apollo 11


       Viver deveria ser bom, deveria ser fácil. Viver deveria fazer sorrir, não fazer fugir ou se esconder das pessoas com medo das coisas absurdas que elas pensariam da roupa que tu veste, do sapato que tu usa, do estado normal ou anormal do teu cabelo. Viver deveria fazer bem e é isso o que leva as pessoas à depressão. Porque não é assim. Porque a sociedade impôs que as pessoas devem ser felizes a qualquer custo, e da mesma maneira todas elas se mostram tão felizes que deixam escondido o atual estado da patologia mundial. Todo mundo se individualiza, mesmo sem saber, e a sociedade fica cada vez mais monopolizada. Cada um se basta, cada um é dono de si mesmo, um é melhor que o outro. Isso dá nojo. Repugna. E se eu sair por aí falando que sou contra todo esse sistema, estarei mentindo, porque todo mundo vive baseado nisso. Até eu, mesmo que por obrigação. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

"Que nem na TV"

   
     O que que é isso na tua boca? É aparelho. Eu vou ter que usar isso quando eu crescer também? Não sei. Hoje eu descobri que o menino que eu gosto tá de namorico com a minha colega. E tu falou pra ele que gosta dele? Falei, mas os homens são todos iguais, vi isso na novela. Tu assiste novela? Sim, todo dia! Hm... Tu tem namorado né? Tenho. E vocês se amam de verdade verdadeira? Acho que sim! Acha? É! A gente se ama sim. Isso é bom... Faz uma trança no meu cabelo? Faço. Ai! Não puxa! Desculpa. Menina tem que ser delicada. Quem te disse isso? Vi no filme da TV... Depois tu me maquia? Maquio, que cor? Rosa, é de menina. Viu na TV? Não, no filme da Barbie. Que legal, tu gosta de Barbie? Adoro, tenho todas as bonecas. E de brincar de mamãe e filhinho, tu gosta? É chato... Gosto de colocar roupa na Barbie. Tô pedindo pra minha mãe o Ken pra namorar com a Barbie de dia das crianças. Namorar? É... Que nem na TV.
     Espera, quantos anos tu tem?
     Cinco.

terça-feira, 12 de junho de 2012

No Necesito Nada

     
Já havia prometido não expor sentimentos e todas essas coisas na internet. Já prometi sair da vitrine, e blá blá blá. Mas aí hoje eu li que a internet virou um ambiente social como qualquer um outro, e que só se deveria expor ali, aquilo que se diria pessoalmente, olho no olho. Mas aqui todo mundo vê tudo, e é como se eu tivesse gritando. Né? Então vou te escrever uma coisa que eu gritaria.

Tô escrevendo esse texto na noite do dia 11, e acho até que vou publicar ele amanhã. É que amanhã é dia dos namorados, e a gente só vai ver gente de mão dada na rua, no shopping, no elevador, subindo a escada. Sabe o que é mais legal de tudo isso? A gente faz parte deles. Parece clichêzinho, eu postando um texto assim, justo nesse dia, só porque eu tenho um namorado. Bá, um namorado. E meu!

Quero sempre a graça desse amor calminho. Quero ter na tua pessoa a calma de um dia agitado de trabalho. Quero deitar contigo e acordar toda manhã vendo o teu olho verde, que é verde puro de dar arrepio na gente. É lindo. Não só o teu olhar mas absolutamente tudo que existe na tua pessoa.

Te acho lindo até tirando meleca do nariz. Te acho lindo quando tu quase tem um treco quando eu encosto na tua axila. Te acho lindo quando tu me diz "tô louco pra te ver". Te acho lindo quando fica bêbado e começa a gritar "DUI" que sei lá o que significa. Te acho lindo quando tu me olha parado e sorri. Te acho lindo. E ainda mais, te amo. Eu tenho uma amiga que diz que ela só diz "te amo", sem o muito. Porque o amor é tão grande que se basta. Mas eu te amo muito. Não que o meu amor não seja o bastante mas é que ele é tão grande que não cabe em mim. Precisa do muito. E tu és o meu muito. Meu muito e meu namorado, então, que nesse dia tu possas te sentir tão feliz quanto eu e que essa felicidade seja sempre abundante na nossa vida, enquanto ela durar, Zé.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Se Eu Começar a Cair

           
Quando eu encher demais o sofá, quando não der mais pra suportar me ouvir roncar, lembre dos momentos felizes. Quando eu não puder mais te ouvir e a cegueira tomar conta de mim, não desista. O dia que parecer difícil - e impossível -  aguentar as mil birras de alguém que só te quer junto, perto, dentro, paciência. O passado, de fato é datilografado, não se pode apagar, então, releia mil vezes quando necessário os capítulos felizes da nossa história, e, se não for pedir demais, escreva mais, viva mais, reviva.

Lembra - te do dia em que te enchi de cócegas e que tu ficaste bem, bem brabo comigo. Lembra - te dos planos e segundos planos que fizemos. De quando dissemos "Se tudo isso não der certo, viro caminhoneiro, tu engorda uns 20 kg, para de se depilar e aprende a soltar pum pra viajar comigo." Se eu de repente começar a cair - É! Peito, bunda, barriga - segura! Não o peito e a bunda, mas a estima. Li algum dia, em algum lugar, que duas almas quando nascem para se pertencerem e se encontram, finalmente, nada consegue separar. Que nada separe! Que quando eu tiver cabelos brancos e usar aquelas roupas estampadas de gente velha tu possas me convencer que nasci pra ser o amor da tua vida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ih, Fez Cócegas


       Não se pode encontrar coisa mais linda que homem de barba. É ela quem dá um toque de serenidade que muitas vezes as palavras não conseguem, por conseguinte, não deixo meu namorado fazer a barba. Uma vez por semana, e olhe lá. Bem lá. Essa danada muda a face de um homem. Quando mal feita, mostra a preguiça. Não que eu seja a pessoa mais bem disposta do mundo, mas eu consigo esconder. Barba bonita mesmo é aquela que a mão pode sentir só de olhar, sem a necessidade do toque. Ela identifica um cara até no escuro. Eu reconheceria Marcelo Camelo no escuro, e quem não reconheceria? Eu tenho pra mim que o homem que tem a barba não feita, mas bem cuidada se preocupa muito mais com sua mulher do que com a própria aparência. Barba é amor e virilidade. Mostra que você pensa muito mais que se olha no espelho. Mas isso é 8 ou 80. Ou faz tudo, ou não faz nada. Bigode é coisa de gente que vende pastel, principalmente se o danado for fininho. Ih! Barba é identidade e eu apoio essa ideia. Aham.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Se Fragol


       Mais difícil que álgebra, é encontrar um meio termo. Um meio termo pra dividir um caderno, um meio termo entre a possessividade e a liberdade, um meio termo entre certo e o não tão certo assim. Esses dias, fui perguntar ao meu pai o que era o tal do "se fragol". Onomatopeia interessante utilizada entre pais e avós para definir o tal do discernimento. Derivado do verbo "fragar", que significa nada mais nada menos que perceber ou entender qualquer fato ou ação, o se fragol é utilizado como uma forma de remédio para aqueles que não conseguem compreender até onde os limites de sua liberdade alcançam. Como ser sutil e, ao mesmo tempo, educado o suficiente para não interferir na "freedom" do outro, da outra, daquelazinha? Os desiludidos com a própria vida passam, então, a tomar preocupação da vida alheia. E ser feliz, dá inveja. 
       Essas pessoas que acabam esquecendo da própria vida pra passar o resto do dia navegando nas redes sociais pra ver se encontram o interesse que lhes falta, na vida alheia, à partir de um certo ponto não conseguem enxergar a linha imaginária que existe entre pessoas e a regra de que cada um possui seu espaço e o aproveita da própria maneira. Julgar sem conhecimento é a maio burrice da humanidade, e dela deriva o preconceito. Não tô aqui falando que o mundo deve ser mais solidário e que todos devemos viver numa sociedade justa e implacável que anda de mãos dadas como se todas as pessoas fossem ingênuas e fraternas. Isso é chato. E além de chato, é amplo. 
       A patologia social vem de milhares de anos, e a cultura de um povo não muda do nada, é preciso esforço contínuo e necessário. Sugestão? A leitura te leva à mundos completamente diferentes e um bom autor caracteriza seu personagem à tal maneira que se sabe muito mais dele do que do perfil do ex ficante da sua prima que agora tá com umazinha gorda e que cheira a cebola. Vai viver! Xô!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Inconstância Constante

       
   Se pudesse ser uma categoria cinemática, seria um drama. É incrível a capacidade de transformar uma coisa completamente simples num tiranossauro Rex da noite para o dia, do dia para a noite, de um segundo a outro que nasceu embutida da derme ao tecido nervoso dela. E bota nervoso nisso. A inconstância é tão característica que ora ela sorri e nesse mesmo "ora" cai em prantos. Prantos de quê? De culpa, que por vezes sequer existe. Ela não deve ficar sozinha, desocupada, porque ela pensa, e, pensar é sempre perigoso. Olha o espelho e faz cara, encara, expulsa o ar dos pulmões e no embaçado do gás carbônico, desenha um Sol. Renato diz que o sol vai voltar amanhã, mas ela quer pra já. Ela quer pra ontem. Eu quero tudo pra ontem, e essa inconstância constante que nasceu embutida da derme ao meu tecido nervoso é quem me faz assim, tão eu.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Futuro

Quando você vê que chegou a hora de crescer, bate um desespero. Uma coisa dentro do peito aperta, e você fica meio “sei lá”. Tô dizendo essas coisas, porque a minha hora de crescer chegou, e chegou já faz um tempo. Essa é a parte mais injusta da vida. É a parte em que você tem pouca, pouquíssima idade e tem que decidir o que fazer com o resto do seu tempo de existência. Tem que decidir de que ponto parte a sua felicidade e eu só sei que tenho muito, muito medo do que possa vir a acontecer daqui pra frente.

Futuro é um negócio maluco. Tira a gente do sério, arranca os cabelos, preocupa de verdade. Deve ser porque nunca se sabe se ele vai acontecer, de fato, muito menos o rumo que ele toma e ele é a mesma coisa que o destino. Só que a gente fala "destino" pra dizer que não acredita em alguma coisa que a sociedade costuma rotular. E esse frio na barriga que vem quando se costuma tocar nessa palavrinha vem da decisão. Minto. Vem da insegurança na hora de tomar uma decisão. Do medo de escolher errado, de julgar errado, de arriscar e tomar bem no meio da fuça, já diriam os serranos. Não dá pra não sentir medo. Eu mesma já tentei. Estabelecer metas sempre foi um problema, pelo ou menos por aqui. Mas sabe aqueles dias em que você se enche de coragem e se sente capaz? Então, esse dia é hoje. Seja o que Deus quiser, e tomara que ele queira bem.

Ô Deus

Tô tão cheia dessa gente asquerosa. Nem uma pontinha de raiva não consigo mais sentir. Dói de ver a mágoa nos olhos de gente assim. Dói. Mas não sinto ódio, não. Dá é pena. Pena dessas pessoas que não se contentam com coisas - belas e pequenas - cheias de valor. Pena pelo simples fato de saber que o que mais existe em mim, mais lhes falta: amor. Não pelas pessoas que estão à sua volta. Mas amor de si próprias. Descontentes. Inconformadas. Desistentes. Ô Deus, dá uma pontinha de esperança pra elas, dá. Vai que o mundo melhora…

Tô falando desse jeito porque a vida é assim mesmo: cheia de momentos que hora agradam hora não. Tô naqueles momentos "hora não". Costumo escrever. Mas é porque muito estou buscando um motivo pra tanto sentimento esquisito junto. Lá no fundo, vai. Busca, menina. É segunda mas é feriado. Tá chovendo mas dá pra usar camiseta. Tô amando e sendo amada. Mas sentir - se só num dia como esse é normal. Sim, sim. Deu chega de drama. Acho que tô é precisando de você. Mas eu te vi ontem. Mas tô precisando de você. Tô precisando de carinho. De sair na rua, sentar num banco e dar risadas. É. Mas tá chovendo. Vou dormir.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Parabéns pra Você

Fazer aniversário. É! Ficar mais velho e essas coisas. Sabe, nunca fui adepta da cultura de ficar felicíssima ao completar primaveras. É que poxa, a vida é uma contagem regressiva e um ano a mais de vida significa um ano mais pertinho do fim, é, do finalzinho. Não vou dizer que odeio fazer aniversário. Uma que não é ódio que eu guardo aqui. É mais nostalgia. Não chega a ser tristeza ou depressão. Aniversariar me deixa é pensativa como, cara, que que eu vou fazer da minha vida? Quanto tempo eu tenho ainda pra decidir sobre o que eu realmente posso fazer pra ser feliz? Quando é que eu vou começar a cair?

Sim! Cair a bunda, os peitos, os cabelos. Mas aí existem aqueles que julgam e dizem: Ah mas tu é uma guria muito nova pra pensar nessas coisas. Beleza, 17 anos é adolescência, nem maioridade se tem. E sabe o que é pior? Eles têm razão. Então por que diabos eu fico assim ao fazer a porcaria do aniversário? Fazendo a porcaria do drama? Por que diabos a gente tem que reclamar do aniversário mesmo? Tá certo. Comemorar tem lá suas vantagens. Se não fosse meu aniversário, eu não ganhava presente. Não mesmo. Se não fosse o meu aniversário, não tinha aquela puta torta de morango moreno na geladeira que me dá água na boca. Se não fosse a porcaria do aniversário, gente que eu não via a 5 mil anos não viria me visitar.

Quando a gente começa a avaliar o comportamento é que a gente vê onde a gente erra. Onde pode acertar, consertar. Talvez fazer aniversário não seja lá de todo ruim. Só sei que eu quero que os fios brancos apareçam daqui uns 30 anos, e se antes aparecerem, tinta neles, Batista!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E aí, Noel

Fala cara! Tava aqui pensando, te escrevi cartinhas um bom tempo só pedindo, e pedindo. Chega essa época do ano, e tudo aqui em casa fica colorido. A noite, vira dia e a casa fica toda iluminada só pra te receber, e eu nunca te agradeci, de fato por isso. É, juro que pensei em começar a te fazer aquela lista de desejos que todo mundo faz, de bens materiais no natal. Tudo bem que eu faço aniversário pertinho de vez em quando o presente vem pras duas datas, mas ele vem! E junto dele, o sorriso de quem lutou pra conseguir. Tô falando dos meus pais, cara. É, aqueles velhos que te entregavam as cartas de caligrafia caprichada que eu escrevia com tanto gosto. Cheia de esperança, de felicidade.

Então, Noel, esse ano fui boa moça. Me comportei, fiz a lição, tentei - juro que tentei - não brigar com o meu maninho, que também foi presente do senhor e não fiz mal - criação. Mas há meses atrás, senti falta do bico que tempos atrás te entreguei. Porque me senti só, aliás queria te fazer uma perguntinha, seu danado. Oh, o senhor andou me observando, foi? Porque quando mais senti - me só, mandaste um anjinho pra me fazer companhia. Pra me fazer sentir especial outra vez. Um anjinho lindo, que me falou das cores do mundo e do valor das coisas. Foi você? Bom, Noel, se foi: muito obrigada! Esse foi um dos presentinhos mais lindos desse ano, de verdade. O mais amado.

Queria te agradecer por reunir toda a parentada nessa época do ano. Por fazer com que nos abracemos ternamente, com sorriso na cara. Por fazer com que aquela minha tia, a de cara amarrada, desse gargalhadas ao ouvir as histórias dos outros. Queria te agradecer também, por obrigares a minha mãe a fazer aquele peru na brasa que eu tanto adoro. Sem peru, sem natal. Queria, além de todas essas coisas, te agradecer por dar graça à minha infância. Não sei com quantos anos fui parar de te escrever, mas hoje, 17 anos depois da primeira cartinha, venho te desejar feliz natal, Noel. Pra mim, pra você, pra minha mãe, pro meu pai, pro meu irmão e pro meu amor, valeu aí, cara.