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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Não Caia do Cavalo Tarde Demais


      Ela esperou o príncipe encantado, ele a salvou e ambos foram felizes para sempre. 
     Desde criança, meus pais, mais especificadamente minha mãe, zelaram pela minha individualidade. Minha educação se baseou no intuito de crescer independente - não que eu seja independente, ou esteja muito perto disso, bem pelo contrário -, de que quando a idade adulta de mim se aproximasse eu não precisasse de ninguém pra sobreviver. 
     Cresci ouvindo histórias de princesas que ficavam presas em torres e de outras que só acordavam com o beijo do príncipe. Cresci ouvindo do mundo inteiro que eu tinha obrigação de encontrar o dito cujo montado num cavalo branco pra encontrar a felicidade eterna. Por sorte, descobri ainda criança que essas histórias eram "mentiras" e que eu devia seguir a minha vida do jeito que bem entendesse. Nada a ver com  feminismo, mas tudo me leva a crer que os contos levam as meninas a viverem num ideal de submissão e necessidade de atenção da raça masculina. Talvez seja esse o motivo de ver tanta foto no face de guria mostrando a ponta do mamilo pra todo mundo ver. Né? 
     Pesquisei muito sobre e, por mais que vivamos numa sociedade moderna onde o sexo não é coisa pra se deixar só pra depois do casamento, existe atualmente uma regra vivida no relacionamento interpessoal  da "Lei da Oferta e Procura" que a gente estuda na escola mesmo. Resumidamente, essa lei é a quantidade disponível do produto colocado à venda. Quando esta quantidade é inferior ao consumo o preço sobe; quando se dá o inverso, o preço cai. Ok, a comparação não necessita de explicações.
     A historiadora americana Riane Eisler afirma que “essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe, status e riqueza.Em última análise a mensagem dos ‘inocentes’ contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.”
     Garotas, não vivam a busca de alguém perfeito que não existe. Não coloquem na vitrine aquilo que vocês mais tem de precioso. Tem tanto cara legal por aí, não é mostrando o útero numa minissaia que encontra alguém pra partilhar de momentos felizes, ou é?

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