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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Velha Chata


Não tem coisa que mais me mete medo do que envelhecer sozinha. Ter lá meus 70 e poucos anos e viver no silêncio de uma casa vazia. De acordar de mau humor e ir dormir do mesmo jeito. Quer dizer, até que tem. Viver triste, pra baixo, chata mesmo.Tenho observado muito aos velhinhos quando passo por eles na rua. Espero que eles não achem isso estranho, mas costumo ver onde eles mais têm rugas. Se na testa, de preocupação, se na boca, de tristeza. Se debaixo do olhos, de choradeza. (Choro + Tristeza), se nas bochechas, de tanto sorrir.

Mas eu não tenho esse medo por nada não. É que eu conheci uma velha chata. Ela tinha rugas na testa, na boca e debaixo dos olhos. Encontrei ela na fila de uma lotérica e ela só sabia reclamar do tamanho da fila. E quando chegou no caixa, só sabia reclamar das contas. E quando olhou pro caixa, da demora do atendimento. E quando saiu da lotérica, do degrau da porta. Deus que me livre, mas ela era muito chata. Coitadinhos dos filhos dela. Ah é! Já ia me esquecendo: Morro de medo também de que meus filhos não gostem da minha pessoa por ser tão chata. Ou meu bom e velhinho marido. Ou todo mundo.

Só sei que, na verdade, eu não queria aquela vida pra mim. Não quero. Não vou querer nunquinha. Não sei que tipo de velha vou ser, e é até meio precoce pensar nesse tipo de coisa antes dos 50, mas eu sei o que eu não quero ser desde já, e isso me basta. Pelo ou menos por enquanto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Receita de Ano Novo

Quando passei no vestibular pra Publicidade e Propaganda fiz questão de anunciar pro mundo inteiro e, desde que decidi que o faria, não tiro o olho dos anúncios publicitários e de toda e qualquer coisa ligada a eles. Amo Literatura, amo PP e quando os dois se unem, o resultado é lindo. O Bradesco soube aproveitar de forma incrível essa magia que existe entre os dois, o que só pôde resultar nisso:



O trecho não poderia pertencer a ninguém mais que Carlos Drummond de Andrade e, na íntegra, ele é melhor e mais profundo ainda.

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
"

Foi um acerto Publicitário enorme, bem como Carlos Drummond.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Passa a Poder


       Gosto de boas conversas. No meio de uma dessas "boas conversas" que a vida me deu de presente, eu e meu pai conversávamos sobre o que significa "ser adulto". Esse assunto surgiu no meu aniversário quando o passei com pouquíssimas pessoas ao meu lado. Minha família sempre juntou um monte de gente nessas datas comemorativas. Um monte. "Mas pai, justo no meu aniversário de 18 ninguém apareceu aqui em casa, porque?" Sério. Isso me intrigou muito. Acordei no dia seguinte não querendo nem mais comparecer à ceia de natal pra desejar um "Aeee, feliz natal, família!" já que ninguém compareceu à minha casa no meu dia pra me dizer "Aeee, parabéns! Agora já pode até ser presa hein!". Boa chorona que sou, chorei. Como pude ficar tão obsoleta na vida das pessoas?
       Aí meu pai, dotado de uma sabedoria que só a experiência de vida pode presentear, deu - me uma lição de vida que tenho certeza que vou contar até pros meus filhos. Ele me contou que a sociedade de hoje já está acostumada com o descaso para com os outros e que a vida de adulto é assim mesmo. O tempo passa e a gente acaba perdendo muita coisa pelo caminho, e algumas dessas coisas são as pessoas que tínhamos ao nosso lado quando éramos crianças e que, quem realmente importa nunca vai estar longe, nunca vai esquecer, mesmo que a léguas de distância.
       Isso me chocou. Será que isso acontece com todo mundo quando vira adulto do nada como eu? Essa coisa chata de ter que ficar sozinho e não ter mais "festa" de aniversário e só uma "comemoraçãozinha prosmaischegado"? 
       Bom, como prometi a mim mesma que sempre tentaria enxergar o lado positivo das coisas, aqui vou eu: Atingir a maioridade tem lá seus bons efeitos. Lugares que você não poderia visitar, você passa a poder. Coisas que você não poderia a ler, passa a poder. Coisas que gostaria de assistir - não pornografia, no meu caso hehe - você passa a poder. As crianças começam a te chamar de TIO e TIA e isso é muito legal. Eu sempre achei. Você passa a poder fazer coisas sem a necessidade da permissão dos seus pais e pode dirigir um automóvel. Pode comprar coisas no seu nome e comprar um fusca. Você, finalmente, é "dono de si" e desculpa esse tanto de aspas que eu usei nesse texto, mas você passa a viver "com as próprias pernas".

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sonzinho Bom

   
Janta - Marcelo Camelo e Mallu Magalhães

       Há quem goste, há quem odeie, mas eu amo esses dois. Ando numa fase da minha vida que a pressão de todos para com tudo têm me sufocado. Aí o que que eu faço? Eu canto. Canto, toco, leio, namoro. Tem coisa mais ruim que guardar mágoa? Existe tanta coisa - dá pra perder a conta de tanta mesmo - que faz mal só pra gente e que não tem ninguém aí que se importa se tu tá infeliz e triste.. No final, não vale à pena - nem a galinha - mesmo.
       Devaneei, desculpem - me a distração. Voltando ao que eu queria falar pra quem, enfim, lê o que eu escrevo, é que esse tipo de MPB que o Marcelo Camelo e a Mallu Magalhães tocam, de certa forma tem o poder de me levar pra um estado de espírito de completa paz e compreensão de mim mesma. Não sou totalmente conhecedora do campo da música, mas o som que ambos andam fazendo, acredito que depois que decidiram que se amavam e se ajudaram e se juntaram e se casaram, amadureceu muito (uma prova disso é a Mallu, própria).
       Aqui vos deixo um pedacinho das coisas que muito tenho escutado nas últimas semanas e que, de uma forma ou de outra, me têm feito muito feliz.

       
Meu Amor é Teu - Marcelo Camelo


Sambinha Bom - Mallu Magalhães


terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Mundo Precisa Conhecer


      Já faz um tempo que eu tô apaixonada. Pelo meu namorado sim, mas aqui vos falo de outra coisa. O que é o Skoob, afinal, professora? Oras, uma rede social! Mas não é comum, eu diria. Ele foi feito na medida exata pra todos aqueles que amam o prazer que a leitura proporciona, e que, principalmente, querem dividir um pouco disso tudo com o mundo. Segundo o institucional do site, ele foi construído ao som de "Good People" do cara, Jack Johnson que na letra da música insiste em perguntar para onde foram as boas pessoas, e a resposta - segundo a própria fonte "skoobana" - é de que foram para lá. 
      O Skoob nada mais é do que um site onde você mostra para as pessoas o que está lendo, o que já leu e o que ainda pretende ler. Você organiza uma espécie de estante virtual, a qual as pessoas podem visitar e ainda, perguntarem a sua opinião sobre qualquer autor ou obra que você já tenha lido, ou não, ou que esteja lendo.Lá você elabora resenhas, avalia e pode até, por ventura, trocar livros com gente do mundo inteiro, só que não pára por aí. O site, seguidamente sorteia exemplares de obras que são doadas pelas editoras e te deixa concorrer sem pagar nada - não sou sovina, embora esse comentário tentasse demonstrar o contrário -.
   
     Fazer o cadastro é muito fácil.  O skoob é uma ferramenta inteligente, feita pra quem ama a leitura. Ali você pode organizar tudo o que deseja ler, trocar, alugar na biblioteca do sesi (não necessariamente na do sesi, mas eu amo falar "da biblioteca do sesi"). O mundo precisa conhecer o skoob, não tanto quando eu passar no vestibular, mas precisa!
     Aqui tá o meu perfil. Se você já leu "Cinquenta Tons de Cinza" da E.L. James, me diz o que achou, porque eu comprei o livro e quando eu escutei que ele prendia a mulher no teto e fazia coisa que ninguém quer ver o pai e a mãe fazendo (né) com ela, fiquei um tanto quanto assustada. 

Att, Eu.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Turma do DÃÃÃ

Tenho observado esse pessoal faz um tempo. Eles me provocam reações diversas: sinto repulsa, sinto medo, sinto desânimo, mas acho que a sensação que prevalece é mesmo a compaixão. Porque eles são tão recalcados, que não conseguem se manifestar no mundo de outra forma. A única coisa que possuem para exibir é isso: seu espírito de porco.

Não é um defeito novo, mas ganhou um espaço de divulgação inimaginável na internet. Se antes eles exerciam seu espírito de porco em pequenos grupos, em comentários ferinos para meia dúzia de ouvidos, agora eles abusam da sua tolice em rede internacional para um público tão amplo, que os deixa embriagados com o alcance atingido. Eles são os neorretardados, os pusilâmines de grande escala.

Se você é uma pessoa de discernimento, que seleciona a informação que obtém, talvez ainda não tenha se deparado com eles. Sorte sua. Mas se tiver curiosidade de saber como a coisa funciona, entre em qualquer site de notícias de um provedor, como a página do Terra, por exemplo, e dê uma olhada nos comentários deixados. É de perder a esperança num mundo mais elegante.

Pra exemplificar, nas últimas semanas o site colocou no ar duas notícias de segunda linha, que não chegaram a repercutir mais do que poucas horas. Uma delas era sobre uma garota de 18 anos que se jogou da Torre Eiffel, em Paris. Chegaram a dizer que seria uma brasileira, mas era uma africana. Em poucos minutos, essa notícia gerou 1.581 comentários de gente lesada das ideias, cujo único prazer é fazer piadinha sobre a dor alheia, sem conseguir articular um raciocínio lógico. Pessoas que têm na agressividade sua única forma de expressão. Foram 1.581 comentários que deixam clara a quantidade de infelizes espalhados por todos os cantos. Porque o espírito de porco nada mais é do que uma exposição despudorada de infelicidade. Como o cara não se suporta, detona com tudo o que vê pela frente.

No mesmo dia desse suicídio, foi noticiada também a estreia da primeira gondoleira de Veneza. Depois de séculos de hegemonia masculina, agora há uma mulher conduzindo turistas nas gôndolas da mais deslumbrante cidade italiana. Fato que não mobiliza o mundo como a morte de Michael Jackson, mas é uma informação curiosa e simpática, que poderia gerar saudações a mais este espaço conquistado pelas mulheres, ou ser simplesmente ignorada, o que também é legítimo. Mas não. Os espíritos de porco, sem ter nada mais produtivo pra fazer, deixaram registradas suas manifestações de preconceito, numa exibição constrangedora de estreiteza mental. Porque o espírito de porco não é apenas uma pessoa com o humor mal-lapidado. Ele é um ignorante com empáfia.

Se fossem poucos, nada a temer. Mas a tacanhice é uma epidemia bem mais assustadora do que qualquer gripe. Porque não é temporária e tampouco tem cura. É o retrato do isolamento e da deseducação de uma geração recém saída das fraldas que, ao ter um teclado à disposição e o anonimato garantido, expõe toda sua miséria intelectual e afetiva. É a turma do “dããã” ganhando voz e propagando a mediocridade universal.


Martha Medeiros

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Um pedaço do Relicário

"Pular no teu ombro. Subir nas tuas costas. Te machucar de algum jeitinho o tempo todo. Fitar teu sorriso, teu cabelo, cada piscadela do teu olho. Te ver sentado no sofá, ver o espaço vazio do lado e mesmo assim preferir o teu colo. Passar a mão por entre os teus fios de cabelo. Preencher o espaço que existe por entre os meus dedos com os teus dedos. Te fazer cócegas. Te fazer rir, sorrir. Suspirar ao ouvir tua voz. Suspirar ao sentir o toque do beijo teu. Fechar os olhos e sorrir ao lembrar de cada uma dessas coisas."

Esse é do tempo do tumblr. Deu saudade, corri pra cá mostrar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nova Parceria!



É por meio dessa postagem que venho lhes anunciar-lhes que fui convidada a escrever no blog People Fearless que fala de muita coisa legal e interessante. Meu primeiro texto já está no ar, se quiser conferir, http://peoplefearless.blogspot.com.br/2012/10/tell-me-baby-pensei.html


Vai aí um trechinho:
Pensei durante muito tempo desde que recebi o convite da Bianca sobre o que escrever aqui pra vocês – aliás, queria deixar bem claro que fiquei superfeliz com tudo isso – e não encontrei nada que me fizesse sentir tão à vontade de escrever do que o montante de coisas que me tem feito pirar de uns tempos pra cá: as críticas que uma pessoa recebe quando tem a iniciativa de tentar criar alguma coisa que ninguém jamais fez, ou teve coragem de fazer....
Quer mais? Entra aí! 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Não Caia do Cavalo Tarde Demais


      Ela esperou o príncipe encantado, ele a salvou e ambos foram felizes para sempre. 
     Desde criança, meus pais, mais especificadamente minha mãe, zelaram pela minha individualidade. Minha educação se baseou no intuito de crescer independente - não que eu seja independente, ou esteja muito perto disso, bem pelo contrário -, de que quando a idade adulta de mim se aproximasse eu não precisasse de ninguém pra sobreviver. 
     Cresci ouvindo histórias de princesas que ficavam presas em torres e de outras que só acordavam com o beijo do príncipe. Cresci ouvindo do mundo inteiro que eu tinha obrigação de encontrar o dito cujo montado num cavalo branco pra encontrar a felicidade eterna. Por sorte, descobri ainda criança que essas histórias eram "mentiras" e que eu devia seguir a minha vida do jeito que bem entendesse. Nada a ver com  feminismo, mas tudo me leva a crer que os contos levam as meninas a viverem num ideal de submissão e necessidade de atenção da raça masculina. Talvez seja esse o motivo de ver tanta foto no face de guria mostrando a ponta do mamilo pra todo mundo ver. Né? 
     Pesquisei muito sobre e, por mais que vivamos numa sociedade moderna onde o sexo não é coisa pra se deixar só pra depois do casamento, existe atualmente uma regra vivida no relacionamento interpessoal  da "Lei da Oferta e Procura" que a gente estuda na escola mesmo. Resumidamente, essa lei é a quantidade disponível do produto colocado à venda. Quando esta quantidade é inferior ao consumo o preço sobe; quando se dá o inverso, o preço cai. Ok, a comparação não necessita de explicações.
     A historiadora americana Riane Eisler afirma que “essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe, status e riqueza.Em última análise a mensagem dos ‘inocentes’ contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.”
     Garotas, não vivam a busca de alguém perfeito que não existe. Não coloquem na vitrine aquilo que vocês mais tem de precioso. Tem tanto cara legal por aí, não é mostrando o útero numa minissaia que encontra alguém pra partilhar de momentos felizes, ou é?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu Tô de Bem

Pé do Guto

Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.

Caio Fernando Abreu

domingo, 26 de agosto de 2012

Apollo 11


       Viver deveria ser bom, deveria ser fácil. Viver deveria fazer sorrir, não fazer fugir ou se esconder das pessoas com medo das coisas absurdas que elas pensariam da roupa que tu veste, do sapato que tu usa, do estado normal ou anormal do teu cabelo. Viver deveria fazer bem e é isso o que leva as pessoas à depressão. Porque não é assim. Porque a sociedade impôs que as pessoas devem ser felizes a qualquer custo, e da mesma maneira todas elas se mostram tão felizes que deixam escondido o atual estado da patologia mundial. Todo mundo se individualiza, mesmo sem saber, e a sociedade fica cada vez mais monopolizada. Cada um se basta, cada um é dono de si mesmo, um é melhor que o outro. Isso dá nojo. Repugna. E se eu sair por aí falando que sou contra todo esse sistema, estarei mentindo, porque todo mundo vive baseado nisso. Até eu, mesmo que por obrigação. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Eterno por Natureza


       Sim! A coisa mais fofa do mundo é esse pedaço de lata cujo qual me rouba olhares. Não sei disfarçar quando vejo um desses fusquetas passando pela rua. Azul, verde, rosa, amarelo tudo deixa ele lindo. Talvez não seja fato de ser um carro eterno, mas a simplicidade que traz só de olhar faça com que realmente o Fusca seja um carro diferente. Parece que o dito cujo sorri. É um setentão com tudo em cima desde sempre, e seu design universal faz com que seja de tamanha importância cultural e estética no mundo inteiro.
       Isso não é  um texto que fala de emoção, que fala de amor ou que conta uma história. Esse é o texto do fusca, que rouba - me até as palavras e, por isso, eu o termino aqui, e agora.    

terça-feira, 3 de julho de 2012

"Que nem na TV"

   
     O que que é isso na tua boca? É aparelho. Eu vou ter que usar isso quando eu crescer também? Não sei. Hoje eu descobri que o menino que eu gosto tá de namorico com a minha colega. E tu falou pra ele que gosta dele? Falei, mas os homens são todos iguais, vi isso na novela. Tu assiste novela? Sim, todo dia! Hm... Tu tem namorado né? Tenho. E vocês se amam de verdade verdadeira? Acho que sim! Acha? É! A gente se ama sim. Isso é bom... Faz uma trança no meu cabelo? Faço. Ai! Não puxa! Desculpa. Menina tem que ser delicada. Quem te disse isso? Vi no filme da TV... Depois tu me maquia? Maquio, que cor? Rosa, é de menina. Viu na TV? Não, no filme da Barbie. Que legal, tu gosta de Barbie? Adoro, tenho todas as bonecas. E de brincar de mamãe e filhinho, tu gosta? É chato... Gosto de colocar roupa na Barbie. Tô pedindo pra minha mãe o Ken pra namorar com a Barbie de dia das crianças. Namorar? É... Que nem na TV.
     Espera, quantos anos tu tem?
     Cinco.

terça-feira, 12 de junho de 2012

No Necesito Nada

     
Já havia prometido não expor sentimentos e todas essas coisas na internet. Já prometi sair da vitrine, e blá blá blá. Mas aí hoje eu li que a internet virou um ambiente social como qualquer um outro, e que só se deveria expor ali, aquilo que se diria pessoalmente, olho no olho. Mas aqui todo mundo vê tudo, e é como se eu tivesse gritando. Né? Então vou te escrever uma coisa que eu gritaria.

Tô escrevendo esse texto na noite do dia 11, e acho até que vou publicar ele amanhã. É que amanhã é dia dos namorados, e a gente só vai ver gente de mão dada na rua, no shopping, no elevador, subindo a escada. Sabe o que é mais legal de tudo isso? A gente faz parte deles. Parece clichêzinho, eu postando um texto assim, justo nesse dia, só porque eu tenho um namorado. Bá, um namorado. E meu!

Quero sempre a graça desse amor calminho. Quero ter na tua pessoa a calma de um dia agitado de trabalho. Quero deitar contigo e acordar toda manhã vendo o teu olho verde, que é verde puro de dar arrepio na gente. É lindo. Não só o teu olhar mas absolutamente tudo que existe na tua pessoa.

Te acho lindo até tirando meleca do nariz. Te acho lindo quando tu quase tem um treco quando eu encosto na tua axila. Te acho lindo quando tu me diz "tô louco pra te ver". Te acho lindo quando fica bêbado e começa a gritar "DUI" que sei lá o que significa. Te acho lindo quando tu me olha parado e sorri. Te acho lindo. E ainda mais, te amo. Eu tenho uma amiga que diz que ela só diz "te amo", sem o muito. Porque o amor é tão grande que se basta. Mas eu te amo muito. Não que o meu amor não seja o bastante mas é que ele é tão grande que não cabe em mim. Precisa do muito. E tu és o meu muito. Meu muito e meu namorado, então, que nesse dia tu possas te sentir tão feliz quanto eu e que essa felicidade seja sempre abundante na nossa vida, enquanto ela durar, Zé.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Se Eu Começar a Cair

           
Quando eu encher demais o sofá, quando não der mais pra suportar me ouvir roncar, lembre dos momentos felizes. Quando eu não puder mais te ouvir e a cegueira tomar conta de mim, não desista. O dia que parecer difícil - e impossível -  aguentar as mil birras de alguém que só te quer junto, perto, dentro, paciência. O passado, de fato é datilografado, não se pode apagar, então, releia mil vezes quando necessário os capítulos felizes da nossa história, e, se não for pedir demais, escreva mais, viva mais, reviva.

Lembra - te do dia em que te enchi de cócegas e que tu ficaste bem, bem brabo comigo. Lembra - te dos planos e segundos planos que fizemos. De quando dissemos "Se tudo isso não der certo, viro caminhoneiro, tu engorda uns 20 kg, para de se depilar e aprende a soltar pum pra viajar comigo." Se eu de repente começar a cair - É! Peito, bunda, barriga - segura! Não o peito e a bunda, mas a estima. Li algum dia, em algum lugar, que duas almas quando nascem para se pertencerem e se encontram, finalmente, nada consegue separar. Que nada separe! Que quando eu tiver cabelos brancos e usar aquelas roupas estampadas de gente velha tu possas me convencer que nasci pra ser o amor da tua vida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ih, Fez Cócegas


       Não se pode encontrar coisa mais linda que homem de barba. É ela quem dá um toque de serenidade que muitas vezes as palavras não conseguem, por conseguinte, não deixo meu namorado fazer a barba. Uma vez por semana, e olhe lá. Bem lá. Essa danada muda a face de um homem. Quando mal feita, mostra a preguiça. Não que eu seja a pessoa mais bem disposta do mundo, mas eu consigo esconder. Barba bonita mesmo é aquela que a mão pode sentir só de olhar, sem a necessidade do toque. Ela identifica um cara até no escuro. Eu reconheceria Marcelo Camelo no escuro, e quem não reconheceria? Eu tenho pra mim que o homem que tem a barba não feita, mas bem cuidada se preocupa muito mais com sua mulher do que com a própria aparência. Barba é amor e virilidade. Mostra que você pensa muito mais que se olha no espelho. Mas isso é 8 ou 80. Ou faz tudo, ou não faz nada. Bigode é coisa de gente que vende pastel, principalmente se o danado for fininho. Ih! Barba é identidade e eu apoio essa ideia. Aham.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Se Fragol


       Mais difícil que álgebra, é encontrar um meio termo. Um meio termo pra dividir um caderno, um meio termo entre a possessividade e a liberdade, um meio termo entre certo e o não tão certo assim. Esses dias, fui perguntar ao meu pai o que era o tal do "se fragol". Onomatopeia interessante utilizada entre pais e avós para definir o tal do discernimento. Derivado do verbo "fragar", que significa nada mais nada menos que perceber ou entender qualquer fato ou ação, o se fragol é utilizado como uma forma de remédio para aqueles que não conseguem compreender até onde os limites de sua liberdade alcançam. Como ser sutil e, ao mesmo tempo, educado o suficiente para não interferir na "freedom" do outro, da outra, daquelazinha? Os desiludidos com a própria vida passam, então, a tomar preocupação da vida alheia. E ser feliz, dá inveja. 
       Essas pessoas que acabam esquecendo da própria vida pra passar o resto do dia navegando nas redes sociais pra ver se encontram o interesse que lhes falta, na vida alheia, à partir de um certo ponto não conseguem enxergar a linha imaginária que existe entre pessoas e a regra de que cada um possui seu espaço e o aproveita da própria maneira. Julgar sem conhecimento é a maio burrice da humanidade, e dela deriva o preconceito. Não tô aqui falando que o mundo deve ser mais solidário e que todos devemos viver numa sociedade justa e implacável que anda de mãos dadas como se todas as pessoas fossem ingênuas e fraternas. Isso é chato. E além de chato, é amplo. 
       A patologia social vem de milhares de anos, e a cultura de um povo não muda do nada, é preciso esforço contínuo e necessário. Sugestão? A leitura te leva à mundos completamente diferentes e um bom autor caracteriza seu personagem à tal maneira que se sabe muito mais dele do que do perfil do ex ficante da sua prima que agora tá com umazinha gorda e que cheira a cebola. Vai viver! Xô!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Macieira

"Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.

Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas,
quando na verdade, eles estão errados...

Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar,
aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.
"

- Machado de Assis

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Inconstância Constante

       
   Se pudesse ser uma categoria cinemática, seria um drama. É incrível a capacidade de transformar uma coisa completamente simples num tiranossauro Rex da noite para o dia, do dia para a noite, de um segundo a outro que nasceu embutida da derme ao tecido nervoso dela. E bota nervoso nisso. A inconstância é tão característica que ora ela sorri e nesse mesmo "ora" cai em prantos. Prantos de quê? De culpa, que por vezes sequer existe. Ela não deve ficar sozinha, desocupada, porque ela pensa, e, pensar é sempre perigoso. Olha o espelho e faz cara, encara, expulsa o ar dos pulmões e no embaçado do gás carbônico, desenha um Sol. Renato diz que o sol vai voltar amanhã, mas ela quer pra já. Ela quer pra ontem. Eu quero tudo pra ontem, e essa inconstância constante que nasceu embutida da derme ao meu tecido nervoso é quem me faz assim, tão eu.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Futuro

Quando você vê que chegou a hora de crescer, bate um desespero. Uma coisa dentro do peito aperta, e você fica meio “sei lá”. Tô dizendo essas coisas, porque a minha hora de crescer chegou, e chegou já faz um tempo. Essa é a parte mais injusta da vida. É a parte em que você tem pouca, pouquíssima idade e tem que decidir o que fazer com o resto do seu tempo de existência. Tem que decidir de que ponto parte a sua felicidade e eu só sei que tenho muito, muito medo do que possa vir a acontecer daqui pra frente.

Futuro é um negócio maluco. Tira a gente do sério, arranca os cabelos, preocupa de verdade. Deve ser porque nunca se sabe se ele vai acontecer, de fato, muito menos o rumo que ele toma e ele é a mesma coisa que o destino. Só que a gente fala "destino" pra dizer que não acredita em alguma coisa que a sociedade costuma rotular. E esse frio na barriga que vem quando se costuma tocar nessa palavrinha vem da decisão. Minto. Vem da insegurança na hora de tomar uma decisão. Do medo de escolher errado, de julgar errado, de arriscar e tomar bem no meio da fuça, já diriam os serranos. Não dá pra não sentir medo. Eu mesma já tentei. Estabelecer metas sempre foi um problema, pelo ou menos por aqui. Mas sabe aqueles dias em que você se enche de coragem e se sente capaz? Então, esse dia é hoje. Seja o que Deus quiser, e tomara que ele queira bem.

Ô Deus

Tô tão cheia dessa gente asquerosa. Nem uma pontinha de raiva não consigo mais sentir. Dói de ver a mágoa nos olhos de gente assim. Dói. Mas não sinto ódio, não. Dá é pena. Pena dessas pessoas que não se contentam com coisas - belas e pequenas - cheias de valor. Pena pelo simples fato de saber que o que mais existe em mim, mais lhes falta: amor. Não pelas pessoas que estão à sua volta. Mas amor de si próprias. Descontentes. Inconformadas. Desistentes. Ô Deus, dá uma pontinha de esperança pra elas, dá. Vai que o mundo melhora…

Tô falando desse jeito porque a vida é assim mesmo: cheia de momentos que hora agradam hora não. Tô naqueles momentos "hora não". Costumo escrever. Mas é porque muito estou buscando um motivo pra tanto sentimento esquisito junto. Lá no fundo, vai. Busca, menina. É segunda mas é feriado. Tá chovendo mas dá pra usar camiseta. Tô amando e sendo amada. Mas sentir - se só num dia como esse é normal. Sim, sim. Deu chega de drama. Acho que tô é precisando de você. Mas eu te vi ontem. Mas tô precisando de você. Tô precisando de carinho. De sair na rua, sentar num banco e dar risadas. É. Mas tá chovendo. Vou dormir.