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sábado, 8 de dezembro de 2012

Passa a Poder


       Gosto de boas conversas. No meio de uma dessas "boas conversas" que a vida me deu de presente, eu e meu pai conversávamos sobre o que significa "ser adulto". Esse assunto surgiu no meu aniversário quando o passei com pouquíssimas pessoas ao meu lado. Minha família sempre juntou um monte de gente nessas datas comemorativas. Um monte. "Mas pai, justo no meu aniversário de 18 ninguém apareceu aqui em casa, porque?" Sério. Isso me intrigou muito. Acordei no dia seguinte não querendo nem mais comparecer à ceia de natal pra desejar um "Aeee, feliz natal, família!" já que ninguém compareceu à minha casa no meu dia pra me dizer "Aeee, parabéns! Agora já pode até ser presa hein!". Boa chorona que sou, chorei. Como pude ficar tão obsoleta na vida das pessoas?
       Aí meu pai, dotado de uma sabedoria que só a experiência de vida pode presentear, deu - me uma lição de vida que tenho certeza que vou contar até pros meus filhos. Ele me contou que a sociedade de hoje já está acostumada com o descaso para com os outros e que a vida de adulto é assim mesmo. O tempo passa e a gente acaba perdendo muita coisa pelo caminho, e algumas dessas coisas são as pessoas que tínhamos ao nosso lado quando éramos crianças e que, quem realmente importa nunca vai estar longe, nunca vai esquecer, mesmo que a léguas de distância.
       Isso me chocou. Será que isso acontece com todo mundo quando vira adulto do nada como eu? Essa coisa chata de ter que ficar sozinho e não ter mais "festa" de aniversário e só uma "comemoraçãozinha prosmaischegado"? 
       Bom, como prometi a mim mesma que sempre tentaria enxergar o lado positivo das coisas, aqui vou eu: Atingir a maioridade tem lá seus bons efeitos. Lugares que você não poderia visitar, você passa a poder. Coisas que você não poderia a ler, passa a poder. Coisas que gostaria de assistir - não pornografia, no meu caso hehe - você passa a poder. As crianças começam a te chamar de TIO e TIA e isso é muito legal. Eu sempre achei. Você passa a poder fazer coisas sem a necessidade da permissão dos seus pais e pode dirigir um automóvel. Pode comprar coisas no seu nome e comprar um fusca. Você, finalmente, é "dono de si" e desculpa esse tanto de aspas que eu usei nesse texto, mas você passa a viver "com as próprias pernas".

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