Páginas

Mostrando postagens com marcador Tati Bernardi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tati Bernardi. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Escritor / Heroi


Sim! Dentre as pessoas mais corajosas desse mundo (bombeiros, policiais, o super-homens) estão eles. Desbravadores da opinião pública, sujeitos a apedrejamentos e palavras de mal grado, escritores. Me pergunto se no mundo existiria alguém que mais os ama e inveja ao mesmo tempo quanto eu. Ah, Fabrício Carpinejar, queria eu ter a coragem de falar do amor sem medo, de expor na cabeça (como sempre renovas) o sentimento que se sente diante de alguém ou de alguma.

Ver amor, amor, inconstância. Tati, minha linda. Já quis tanto esfregar um texto seu na cara de alguém que às vezes me pergunto se isso não seria pecado. Desejar ter escrito 90% das coisas que escreveste e publicá – las. "Publicar", tá aí o problema. Stella, Caio, Martha... Se alguém, algum dia, souber me dizer e puder me ensinar como é que a gente faz pra não ver maldade em quase todas as coisas, que me procure! Porque estou, definitivamente, começando a ficar preocupada comigo: ou eu só eu vejo o lado ruim das coisas ou o lado ruim das coisas existe em quase todas elas.

Me sinto em apuros: quero escrever mas não sei se suporto. Como é que vocês fazem? Ignoram? Revidam? Fingem que não vêem? To precisando de ajuda. Tem um monte de coisa presa na minha garganta que precisa ser dita.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Textos dos Outros: Eu preciso saber

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada.
Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Textos dos Outros: Ei, Zé

Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
Tati Bernardi

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Textos dos Outros: Aviso Prévio

Entrei na sala escura e pequena. Senti uma claustrofobia enorme. Abre aí uma janela, liga o ar, qualquer coisa. Não, tinha que ser jogo rápido. Diga logo ao que veio que eu tenho mais o que fazer. Eu vim pedir demissão. Disse. Já me arrependendo. Mas preferindo isso do que ser demitida por incompatibilidade ao cargo. Ele me olhou, olhou, olhou de novo. Por cima dos óculos. Então você quer se demitir do amor? Isso mesmo, querido chefe coração. Eu quero desaparecer daqui. Quero que você se exploda. Veja bem. Um dia lindo lá fora. Quinhentas coisas pra fazer. E eu presa aqui o tempo todo. Nessa salinha mofada. Trabalhando vinte e cinco horas por dia sem dormir, sem ver a luz do dia e sem ganhar nada por isso. Vivo exausta e abatida. Chega. Isso é trabalho escravo. Você me deve férias há anos. Você sempre me garante que agora, agora finalmente é a minha vez. Vou crescer na empresa. Vou me dar bem. Vou ter aumento. Mas nunca é a minha vez. Vou morrer estagiária se continuar aqui. Sempre que estou saindo pra almoçar, você aparece em minha mesa e me dá papeladas e mais papeladas de angústias e ciúmes.