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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Friday, 01

Chuva lá fora. Obrigado, São Pedro, nada demais pode ser feito. Uma janela, me parece interessante. Sentei á beira, sozinha, cadeira dura. Nada estava a minha volta. Pus em mãos o meu violão. Estava frio demais para que pudesse ser fácil trocar com leveza de uma nota para a outra. Doíam-me as articulações. Insisti. Toquei a nossa música. Por que diabos fui tocar a nossa música? Nunca senti algo parecido. Não sei definir o que era, e nem vou me esforçar para que isso aconteça. É como se fizesse mais frio do lado de dentro do meu peito do que lá fora. Isso não me fez bem. Desisti de tentar preencher o silêncio - e o vazio - de mim e daquele lugar.Comecei a pensar em toda a nossa história, e depois de cada pedaço de lembrança que me vinha em mente, lembrava-me das 72 horas em que amargurei, que chorei por qualquer coisa, que não sorri e que fiquei totalmente feia e desfigurada depois de chorar feito uma adolescente em crise. Eu que pensava que estava totalmente recuperada dos traumas deixados em mim, aliás, a vida é tão complicada assim? Pensar nela e nas pessoas, de repente se tornou algo triste. Não devia ser assim. Não deve ser assim. Alguma coisa de repente me fez acordar, voltar para aquele lugar: Ei, você! O que pensa que está fazendo? Sai dessa janela. Para de perder tempo. Vá já, vá agora, fazer qualquer coisa. Não entre no meio de uma crise existencial. Não agora. Deixa de fazer drama. Não seja ridícula. Olhar e admirar o vazio da chuva é para poetas. Só está chovendo lá fora.

2 comentários:

  1. Chuva: tudo o que vem ou cai em grande abundância


    Posso facilmente definir dor como Chuva, ou ate tempestade não é.

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  2. Cuva de dor. De angústia. Deve ser por isso que dias chuvosos não são tão adoráveis, não?

    Obrigada pelo cometário Alinne =)

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