Distraída, ao vagar pelo meu interior que agora, já fora arrumado. Tudo posto nos devidos lugares: coração, em mim, não em tu. Estômago, preso, não à embrulhar, relutar, girar e provocar-me sensações insanas. Alma, limpa, serena, não suja da podridão do meu sentimento inexato, não recíproco. Tudo aonde deveria estar, finalmente, estava. Mas por uma ventura do infinito que me cerca, me desprendi. Como aquele passarinho preso na gaiola, bem em teu devido lugar, mas ansiando pela liberdade, com sede de respirar ar puro…
Seria eu, estável, mas com ânsia de amor. Mas como todo passarinho e todo poeta, tenho medo. Cresce algo no meio de tudo que estava tão correto, e tira tudo o que estava no lugar do certo, me leva para o “talvez”, me leva para o inexato, me leva para o futuro, o amanhã… Tão incerto, tão recheado de dúvidas que vêm a transbordar pelos meus olhos quando nada mais se cabe aqui dentro. Nada mais se cabia, não entrava, não vinha. Talvez porque meu medo já tivesse resolvido se misturar as minhas tão vontades de me ter sempre aqui, sempre em mim. Por certo, não fora o suficiente. Talvez, quem sabe, não era o que merecia. Ter-me por completo em um espaço tão meu. Quem sabe foi por isso que o destino resolveu mudar a rota já traçada que vim a escolher para a minha vida, levando-me para longe de onde jurei jamais sair. Talvez não mais se cabia tanta vontade de prender-me a uma gaiola e viver a cantar, sem mais som algum. Talvez sair para respirar ar puro se transformou em sentir uma leve brisa que me trás as mais belas lembranças de que ninguém pode ser-te só seu. Nem eu.
Desprendi-me então deste sufoco vazio, desta gaiola invisível, destas correntes que aprisonavam-me em meu próprio eu. Desprendi-me e prendi-me à outro passarinho que vagava por aqui a sibilar acolá sobre as verdades que a vida tinha a mostrar. Prendi-me em outra gaiola – muito mais aconchegante, devo dizer – prendi-me a tu. E com a vontade de libertação maior que o medo de perder-me nos caminhos tortos que o vento nos aponta, fui. Segui. Voei. Libertei-me da dor e prendi-me, enfim, a tu, a nós.
PS: Esse texto não é de minha autoria. O vi perambulando pelo tumblr, mas uma pena mesmo é não saber o nome do autor dele.
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