Essa manhã eu acordei e não tinha mais de você deitado no lado direito da cama. Levantei e não ouvi a sua voz. Caminhei e não te vi reclamar do barulho do assoalho. Não ouvi teus elogios dizendo que eu estava completamente linda com um pijama velho, cabelo ridiculamente bagunçado e pasta de dente na boca. Aliás, queria eu acreditar que quando você dizia que eu estava linda naquele estado, que aquilo fosse verdade, de fato. Entrei no chuveiro, e não tinha você pra me alcançar a toalha que eu esqueci a uns bons metros do banheiro. Saí do quarto e o café não estava na mesa. Peguei os pães e não tinha você pra me alcançar o a faca. Não tinha mais do seu sorriso do outro lado da mesa, ou das suas – por vezes, nossas – roupas espalhadas pelo chão. Não tinha mais a gente conversando sobre o que ia fazer o resto do dia, da semana, o resto da vida. Não tinha mais você me chamando de ‘meu amor’ e dizendo que íamos viver juntos para sempre. Acredite, o seu ‘para sempre’ foi o único o qual eu realmente acreditei. Não tinha mais você tocando ‘Your Winter’ na varanda. Não tinha. E o Sister Hazel, meu bem, não arrebenta cordas tocando no meu rádio como você costumava arrebentar lá fora. Agora, aqui, só existe uma lembrança tua. Teu cheiro ainda não saiu do sofá que sempre costumava sentar e eu ainda sinto tua presença. Mas não vou mais chorar. Meu querido, a vida continua e como diz a letra da música, I wont be your winter. Eu vou (re)aprender a viver feliz, e sem você pra me alcançar a toalha.
Ps.: Essa é a música de que falei na narrativa
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