Estava lá, aguardando pacientemente a moça do troco, quando passo os olhos pela frase escrita em letra de forma branca, sob o tecido verde da camisa do jovem rapaz. Era dono de olhos cor de mel, cujos roubaram-me um sorriso por entre os lábios: ''Em que posso lhe ajudar?''. Fitei sua beleza robusta por alguns segundos e pensei em puxar um assunto, qualquer que fosse. Claro que pode, me desculpe, mas acho que perdi o caminho de casa. Ou então: Já que o moço dos lindos olhos fez a bondade de oferecer-se, não quer entrar na minha vida e virar tudo de ponta cabeça?
Tenho certeza de que isso frustraria o pobre rapaz. Eu tenho o costume de frustrar as pessoas. Baixei a cabeça e comecei a sorrir fantasiando, inventando coisas que jamais aconteceriam. Como, por exemplo, o moço dos olhos cor de mel dando de comida aos patos ao meu lado, á beira de uma lagoa qualquer. Ele poderia tocar violão para mim ao final de todas as tardes, sentado à beira de uma janela alta e eu o observando, agradecendo todos os dias por tê-lo em minha vida. Nós poderíamos nos afundar sob um sofá rasgado, mergulhados em um ou dois cobertores assistindo a qualquer filme besta. Rindo. Gastando tempo.
Aí, como sempre, eu acordei. Cruzei olhares com o moço dos olhos doces uma última vez desejando poder vê-lo qualquer dia vagando por aí, sem rumo. Aí eu o diria sem fundamento algum: "Em que posso lhe ajudar?"
eu queria um caso de supermercado *-*
ResponderExcluiracredite Ni, EU TAMBÉM!
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