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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pensamento pré-visto

Essa tarde, então, por entre risos involuntários, pensei: Que raios vou fazer quando te ver? Oi Zé. Tudo bem? Tudo em cima? Ah que bom. Tá frio né? É… Poxa, não tenho nenhuma novidade não, e você? Ah… Ô Zé, me faz feliz? É que… Pera, você disse sim? - Zé me beijando, e eu beijando Zé - Zé, não vai embora não. Fica. Não me perde. Não se perde. Me preenche, vai. Tô precisando tanto de alguém que cuide de mim. Ah, Zé, diz que vai me fazer feliz, diz.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Memorando

Eram bons os tempos em que costumávamos nos sentar à beira da varanda para falar de nada. Que sentíamos a brisa sob o rosto e cerrávamos os olhos a fim de abrir o coração. Eram bons os tempos em que não precisávamos levantar um decibel da voz para que pudéssemos nos comunicar. Em que não sorríamos somente para fotografias que hoje, estão amareladas no fundo da gaveta da escrevaninha. Em que deitávamos sob o gramado e contávamos constelações, contávamos da vida, contávamos do real valor que tudo aquilo tinha para nós mesmos. O mundo roubou - nos a pureza de aproveitar cada segundo do que a gente vive. Dá saudade. Era bonito, e como era bonito.

sábado, 27 de agosto de 2011

Vem

Moço, me adota. Cuida das minhas dores e dos meus anseios. Me olha no fundo dos olhos. Enxerga minh'alma. Juro que não sou chatinha não. Não tenho frescura, não gosto das coisas tão certinhas. Não fico horas na frente do espelho mexendo no cabelo e tenho as unhas bem, bem feinhas. Sabe, moço, tô precisando tanto de alguém que me proteja dos meus medos. Dos meus anseios.

Moço, me carrega nas costas e me faz rir o riso mais doce puder. Pega a colcha de retalhos, um filme bem sessão da tarde, coloca a pipoca no forno e deixa que eu arrumo o sofá. Mergulha por entre os cobertores e me deixa deitar no teu ombro. Moço, ri da vida comigo. Me morde. Passa teu nariz na minha face fazendo dengo. Vem ser dengoso comigo, moço, vem. Deixa eu meter as mãos por entre os teus fios de cabelo e te tocar o rosto de pele aveludada. Me deixa te olhar sem falar nada. Me deixa ver a beleza desses teus olhos verdes. Fala nada não. Fica quietinho. Moço, você é lindo.

Põe - me nos braços e me chama de tua.

Ai, moço, te quero tão bem. Faz acontecer em câmera lenta. Aumenta o volume do rádio e dança o passo mais desengonçado junto ao meu pela sala. Tropeça e cai no chão. Me leva junto pro chão, moço. Me faz cócegas e canta qualquer coisa no meu ouvido. Desafina. Afina. Sussurra. Diz que vai me proteger e não me deixa ir embora. Moço, não vai embora. Fica. Cuida de mim. Não se perde. Pega o papel e assina. Vai moço, me adota.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Conto de Maria I

No meio de toda aquela chatice de jantar de negócios, eis que tive um pequeno relapso. Te ver, de repente, sentado do outro lado da mesa fez-me ter um dejavú e perceber que eu já o vi antes. Sim, meu querido, nós nos conhecemos. Senão desta, de outras vidas. De paletó nada amassado, cabelos milimetricamente arrumados e a vida que transfigurava no lindo botão de cravo branco, provavelmente recentemente colhido no bolso esquerdo do peito. De pele aveludada e lábios um tanto quanto equilibrados. Cheios de cor e vontade. Só não sei se cheios da tua vontade ou da minha.

Tentei então imaginar se talvez pudesse lembrar do timbre da sua voz. Fina não deve ser. Ele não tem cara de voz fina. Espera, ele virou. Ih, tem gogó. A voz deve ser das graves. Será que tem sotaque? Preciso parar de encarar, daqui a pouco tá ele lá, pensando que eu sou uma psicopata. Louca. Maluca. 

E eu vou fazer o que? Virei sim, uma psicopata, louca e maluca - por ele -.

Decidida a parar de encarar o pobre - lindo, maravilhoso e meu - rapaz tentei concentrar - me na conversa mais que muito convencional entre meu pais e o chefe dele. Esta é a menina de vocês? É sim. Qual a sua graça? Maria. É um lindo nome, Maria. Sabes que esses dias... Desde então não ouvi absolutamente nada do que falavam à minha volta. Ele levantou. Sim, aquele de que falei que conheci em outras vidas. Arrastou suavemente a cadeira para longe da mesa e levantou. Como ele andava bonito! Desculpa, pai, preciso ir ao banheiro. Licença.

Continua...

Esse tal vazio de mim

Distraída, ao vagar pelo meu interior que agora, já fora arrumado. Tudo posto nos devidos lugares: coração, em mim, não em tu. Estômago, preso, não à embrulhar, relutar, girar e provocar-me sensações insanas. Alma, limpa, serena, não suja da podridão do meu sentimento inexato, não recíproco. Tudo aonde deveria estar, finalmente, estava. Mas por uma ventura do infinito que me cerca, me desprendi. Como aquele passarinho preso na gaiola, bem em teu devido lugar, mas ansiando pela liberdade, com sede de respirar ar puro…

Seria eu, estável, mas com ânsia de amor. Mas como todo passarinho e todo poeta, tenho medo. Cresce algo no meio de tudo que estava tão correto, e tira tudo o que estava no lugar do certo, me leva para o “talvez”, me leva para o inexato, me leva para o futuro, o amanhã… Tão incerto, tão recheado de dúvidas que vêm a transbordar pelos meus olhos quando nada mais se cabe aqui dentro. Nada mais se cabia, não entrava, não vinha. Talvez porque meu medo já tivesse resolvido se misturar as minhas tão vontades de me ter sempre aqui, sempre em mim. Por certo, não fora o suficiente. Talvez, quem sabe, não era o que merecia. Ter-me por completo em um espaço tão meu. Quem sabe foi por isso que o destino resolveu mudar a rota já traçada que vim a escolher para a minha vida, levando-me para longe de onde jurei jamais sair. Talvez não mais se cabia tanta vontade de prender-me a uma gaiola e viver a cantar, sem mais som algum. Talvez sair para respirar ar puro se transformou em sentir uma leve brisa que me trás as mais belas lembranças de que ninguém pode ser-te só seu. Nem eu.

Desprendi-me então deste sufoco vazio, desta gaiola invisível, destas correntes que aprisonavam-me em meu próprio eu. Desprendi-me e prendi-me à outro passarinho que vagava por aqui a sibilar acolá sobre as verdades que a vida tinha a mostrar. Prendi-me em outra gaiola – muito mais aconchegante, devo dizer – prendi-me a tu. E com a vontade de libertação maior que o medo de perder-me nos caminhos tortos que o vento nos aponta, fui. Segui. Voei. Libertei-me da dor e prendi-me, enfim, a tu, a nós.

PS: Esse texto não é de minha autoria. O vi perambulando pelo tumblr, mas uma pena mesmo é não saber o nome do autor dele.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A arte de reluzir

Não existirão palavras, ou até mesmo expressões, que definam o quão belo é viver ao lado de pessoas que reluzem. Então cá estou eu, tentando definir pessoas que possam reluzir e, caracterizarei apenas uma, a que vi dias atrás passando a avenida 47, em 12 de outubro. Ela era dona do riso mais largo que vira em anos de vivência. O mantive em pensamento por horas. Dias. Noites em claro. Desde então, comecei a procurar por pessoas verdadeiras. Donas de lindas almas, e gestos.

Matutei durante muito tempo, tentando descobrir alguma forma de enxergar a alma das pessoas. Foi então, que resolvi pedir a ajuda de um velho amigo, que com anos de experiência e muita sabedoria soube responder-me de forma grandiosa: "Para que tanto pensar? A beleza da alma das pessoas, reflete o brilho dos olhos de cada uma delas." Bingo. Andando pela rua, olhava nos olhos de cada ser, imaginando que, cada um possui uma história diferente.

São seis bilhões de pessoas na face da Terra, seis bilhões de histórias diferentes. De repente senti uma vontade absurda de saber cada uma delas, sem mal saber da minha. A história que guardo de mim, são umas poucas e lindas lembranças e algumas outras fotografias em sépia mantidas num álbum nada convencional. Tá aí, uma coisa muito curiosa: A maioria das pessoas que reluzem, possuem ao menos um par de histórias tristes para contar. Mas até então, pareço não encontrar uma real definição para elas. É que coisas como estas, não devem ser entendidas. Não devem ser explicadas. Devem ser sentidas. Então, acho que vou é desejar que você encontre uma pessoa que reluz qualquer dia da sua vida, ou, porque não, ser uma?