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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Textos dos Outros: Antes do Começo

Preciso me acostumar com a companhia a ponto de me tornar inocentemente dependente dela. A reciprocidade deve ser naturalmente recíproca. A espontaneidade precisa atingir nível incalculável o suficiente para se tornar infinita. O passado necessita ter sido completamente revelado, junto com seus pesadelos, sonhos, desejos, insatisfações, segredos, observações, críticas e ironias. Gargalhadas necessitam aparecer constantemente. Não devem existir perguntas sem respostas. Confissões podem ser habituais. Os abraços devem ser feitos com o olhar antes de se tornarem a parte literal da coisa. O presente precisa ser apreciado sem a pressa inconseqüente que impossibilita o conhecimento de quem está diante dos olhos. Precisam existir músicas para lembrar muito mais do que uma única pessoa. Precisam existir músicas para reviver momentos. Momentos livres de cobranças, mas completamente envoltos em expectativa. A curiosidade precisa ter perguntas bonitas, dúvidas intrigantes e mistérios finalmente desvendáveis. Perguntas precisam responder tudo. Alardes não devem ser feitos para ninguém além do espelho. A alegria precisa ser engolida, os desejos precisam ser reprimidos em patamares, a admiração deve estar acima de tudo. O próximo passo só deve ser dado com a coragem enrustida, completamente envolta em descontrole e desejo de ambos os lados. Por “semi-começo”, a precaução surgirá na sua forma pura, querendo proteger o que ninguém mais rouba. A realidade precisa parecer irreal. E como se sabe, tanto componente nessa mistura exige um longo tempo de preparo. Haja disposição. Ops, paixão!

Bruna Vieira

segunda-feira, 28 de março de 2011

A diferença

Sabe que, é tão engraçado parar e ver a capacidade que as coisas têm de mudar em sua vida. E pra você aí que  não acredita na evolução das coisas, compare o modo como se porta, como reage, e como se comporta a uns dois anos atrás. Eu por exemplo, a dois anos atrás escrevia as coisas coloridinhas, usava calças boca de sino, não cuidava do cabelo, roía as unhas e pensava que chorar era um modo fácil *e quase infalível* de conseguir tudo o que quisesse. Algumas coisas não mudaram, como o fato de eu adorar assistir a desenhos animados e comer pipoca de panela com caldo de galinha, digamos que hoje, sou um 30% da pessoa que era a dois anos atrás.
As pessoas evoluem. Elas têm de evoluir. Essa é a lei.
Creio que, para a maioria das pessoas, escutar da boca de todo mundo: "Você já não é mais uma criança, crie responsabilidades" seja algo que, faça refletir. Bem, ao menos ouvir isso me deixa pensativa. O fato de ~ não ser mais uma criança ~ mostra como as coisas passam, e depressa. Sentir saudade da época em que a maior preocupação eram quantas figurinhas faltavam pra completar um álbum. Hoje, com 16 anos me vejo diferente *de muita gente*.
Quando você diz que é diferente, você está dizendo que não segue um padrão de uma sociedade. Nunca soube responder exatamente a essa incógnita. Só sei que, não seguir os padrões é ter personalidade. Defender sua opinião. É reconhecer o erro. E é não ligar pra coisas fúteis e insignificantes, beleza física. É não fazer coisas que todo mundo faz. É ler tudo isso que eu escrevi e pensar, eu sou mesmo aquilo que penso ser?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Textos dos Outros: Confissões

Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente .. um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertecendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade .. quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você. Suas confissões.

Caio F. de Abreu

domingo, 6 de março de 2011

Atitude

E o que fazer quando você se sente preso a alguém? Quando o seu desejo de liberdade é maior que tudo o que se pode imaginar e você sente medo das consequencias de toda e qualquer atitude errada que você possa tomar? O tipo de pessoa que se preocupa muito mais com as outras pessoas do que consigo mesma é o tipo que me remete a honestidade. A generosidade é tamanha ao ponto de sofrer em silêncio sem que mais ninguém saiba o que se passa dentro do seu coração até porque, mesmo se as pessoas soubessem elas lhe diriam a mesma coisa: - Termine logo com isso, você não está feliz. - Como se isso fosse tão simples quanto calçar os sapatos antes de sair de casa. A sensasão de ser o sofrimento de alguém, não sei se deveria agradar, mas quem realmente se importa com isso deve entender do que eu estou falando. A sensação de que você está sim, se preocupando mais com os outros do que consigo mesmo, do que com a felicidade própria, não é daquelas que causa orgulho do tipo: Eu sofro por alguém, me ame me ame me ame. Essa sensação, traz a dor, dor que desorienta, dor que perturba. E aí você pára pra pensar se todo esse sofrimento (que só você sabe que existe) vale a pena, e descobre que até então você gosta mais de você mesmo do que esse alguém gosta de você (Acho que não fui clara, quando a coisa não é tão recíproca quanto parecia, resumidamente). E toma uma atitude que, certamente não sabe de onde tira a própria coragem. E sofre. Sofre porque agora está sozinho e pensa que jamais terá alguém novamente, até que alguém aparece e muda completamente o rumo dessa história.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amores Platônicos

Eu não sei se você sabe o meu nome. Eu não sei se você sabe que eu existo, e pra ser bem sincera: Eu não sei nem de você existe mesmo. Talvez sejam aquelas paixões que você sente por um tempo até a coisa se tornar recíproca e ter um fim. Talvez você me lembre alguém que nem eu mesmo sei quem é. Sei que você mexe comigo. E de forma esquisita. E o pior de tudo: Você não vê as coisas como eu. E de repente eu me pego inventando histórias com você, fazendo planos que jamais se realizarão. Deve ser aquele tipo de amor platônico que todo mundo já sentiu e sofreu algum dia. Sei que é bom. E sei que é meu. Meu sentimento. Sentimendo que me deixa feliz, e que eu não sinto a necessidade de compartilhar com ninguém. Não sei se você sabe do que eu estou falando, na verdade, nem eu mesma sei so que estou falando. Não sei se o nome disso é sentimento, porque sempre dizem que sentimento BOM, é aquele que a gente compartilha com alguém. Acho que sou uma daquelas excessões bobas, e me sinto feliz guardando esse sentimento só pra mim. Eu aqui, você aí. Sem saber de nada. E que continue desse jeito até que eu possa ver que nem tudo o que se quer, se tem. Obrigado por me fazer feliz, mesmo sem fazer ideia de quem sou, de que eu existo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Textos dos Outros: Arrumando a Bagunça

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.  Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

Caio Fernando de Abreu