Páginas

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Difíceis Separações

       
Dias atrás, rindo de antigas histórias que o tempo não consegue apagar, sorri. Sorri um sorriso de sentir as bochechas espremerem, e deu saudade. Foi como se as coisas acontecessem ali, numa apresentação em sépia que pairava por entre meus olhos. Meu pai, calorosamente dando palmadas na coxa me fazendo correr para o seu colo afim de me dizer algo sério. Assunto de gente adulta.  "Roberta, vamos fazer uma troca? Tu taca teu bico na lareira e eu te dou a Boneca Baby Barriguinha" Aquilo era muito sério. Ou a boneca, ou o bico. E na lareira, não ia dar pra pegar de volta. Mas era a Baby Barriguinha, alguém lembra da Baby Barriguinha? É! Aquela que a gente aperta a mamadeira e a barriga dela incha... Sabe? Eu sabia, e como queria.

Minha mãe sentada ao lado dele (só pra sentir a seriedade do assunto) me avisou que se eu optasse pela boneca não ia ter volta. Não ia ter outro bico e aquilo me deixou indecisa. Pensei nos momentos felizes que eu e a chupeta vivemos e, com muito dó, taquei ela no fogo. Sabe quando  pai e mãe babam no filho quando ele faz alguma coisa que nunca fez e ficam feito crianças batendo palmas e gritando "ÊÊÊÊÊ!!" pra criança ver que fez uma coisa ótima? Fiquei triste pelo bico mas ver meus pais gritando e batendo palmas pra mim e imaginar que logo logo eu teria a Baby Barriguinha só pra mim amenizou  a separação tão importante na vida de uma criança. Quase tão importante quanto as fraldas (que também têm uma história muito curiosa no meu caso: não acostumada com a ideia de ficar sem elas parecia um cachorrinho fazendo cocô pela casa toda e meus pais também gritavam "ÊÊÊÊÊ!!" quando isso acontecia).

São separações difíceis as quais somos impostos a vida inteira. Abandonar a creche. Amigos. A escola, e isso é tudo realmente desafioso. Mas a separação mais difícil de uma pessoa deve ser quando ela sai de casa. Quando ela deixa de ver seus pais todos os dias e de ter o café da manhã posto na mesa sempre. Ou pior ainda, quando os pais partem, descansam e o chão some. Deus que me livre, quero eu que isso seja tão fácil quanto trocar o bico pela Baby Barriguinha e ter na mente os dois com cara de abobados gritando "ÊÊÊÊ!!" enquanto eu fazia cocôs pela casa toda.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Velha Chata


Não tem coisa que mais me mete medo do que envelhecer sozinha. Ter lá meus 70 e poucos anos e viver no silêncio de uma casa vazia. De acordar de mau humor e ir dormir do mesmo jeito. Quer dizer, até que tem. Viver triste, pra baixo, chata mesmo.Tenho observado muito aos velhinhos quando passo por eles na rua. Espero que eles não achem isso estranho, mas costumo ver onde eles mais têm rugas. Se na testa, de preocupação, se na boca, de tristeza. Se debaixo do olhos, de choradeza. (Choro + Tristeza), se nas bochechas, de tanto sorrir.

Mas eu não tenho esse medo por nada não. É que eu conheci uma velha chata. Ela tinha rugas na testa, na boca e debaixo dos olhos. Encontrei ela na fila de uma lotérica e ela só sabia reclamar do tamanho da fila. E quando chegou no caixa, só sabia reclamar das contas. E quando olhou pro caixa, da demora do atendimento. E quando saiu da lotérica, do degrau da porta. Deus que me livre, mas ela era muito chata. Coitadinhos dos filhos dela. Ah é! Já ia me esquecendo: Morro de medo também de que meus filhos não gostem da minha pessoa por ser tão chata. Ou meu bom e velhinho marido. Ou todo mundo.

Só sei que, na verdade, eu não queria aquela vida pra mim. Não quero. Não vou querer nunquinha. Não sei que tipo de velha vou ser, e é até meio precoce pensar nesse tipo de coisa antes dos 50, mas eu sei o que eu não quero ser desde já, e isso me basta. Pelo ou menos por enquanto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Receita de Ano Novo

Quando passei no vestibular pra Publicidade e Propaganda fiz questão de anunciar pro mundo inteiro e, desde que decidi que o faria, não tiro o olho dos anúncios publicitários e de toda e qualquer coisa ligada a eles. Amo Literatura, amo PP e quando os dois se unem, o resultado é lindo. O Bradesco soube aproveitar de forma incrível essa magia que existe entre os dois, o que só pôde resultar nisso:



O trecho não poderia pertencer a ninguém mais que Carlos Drummond de Andrade e, na íntegra, ele é melhor e mais profundo ainda.

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
"

Foi um acerto Publicitário enorme, bem como Carlos Drummond.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Passa a Poder


       Gosto de boas conversas. No meio de uma dessas "boas conversas" que a vida me deu de presente, eu e meu pai conversávamos sobre o que significa "ser adulto". Esse assunto surgiu no meu aniversário quando o passei com pouquíssimas pessoas ao meu lado. Minha família sempre juntou um monte de gente nessas datas comemorativas. Um monte. "Mas pai, justo no meu aniversário de 18 ninguém apareceu aqui em casa, porque?" Sério. Isso me intrigou muito. Acordei no dia seguinte não querendo nem mais comparecer à ceia de natal pra desejar um "Aeee, feliz natal, família!" já que ninguém compareceu à minha casa no meu dia pra me dizer "Aeee, parabéns! Agora já pode até ser presa hein!". Boa chorona que sou, chorei. Como pude ficar tão obsoleta na vida das pessoas?
       Aí meu pai, dotado de uma sabedoria que só a experiência de vida pode presentear, deu - me uma lição de vida que tenho certeza que vou contar até pros meus filhos. Ele me contou que a sociedade de hoje já está acostumada com o descaso para com os outros e que a vida de adulto é assim mesmo. O tempo passa e a gente acaba perdendo muita coisa pelo caminho, e algumas dessas coisas são as pessoas que tínhamos ao nosso lado quando éramos crianças e que, quem realmente importa nunca vai estar longe, nunca vai esquecer, mesmo que a léguas de distância.
       Isso me chocou. Será que isso acontece com todo mundo quando vira adulto do nada como eu? Essa coisa chata de ter que ficar sozinho e não ter mais "festa" de aniversário e só uma "comemoraçãozinha prosmaischegado"? 
       Bom, como prometi a mim mesma que sempre tentaria enxergar o lado positivo das coisas, aqui vou eu: Atingir a maioridade tem lá seus bons efeitos. Lugares que você não poderia visitar, você passa a poder. Coisas que você não poderia a ler, passa a poder. Coisas que gostaria de assistir - não pornografia, no meu caso hehe - você passa a poder. As crianças começam a te chamar de TIO e TIA e isso é muito legal. Eu sempre achei. Você passa a poder fazer coisas sem a necessidade da permissão dos seus pais e pode dirigir um automóvel. Pode comprar coisas no seu nome e comprar um fusca. Você, finalmente, é "dono de si" e desculpa esse tanto de aspas que eu usei nesse texto, mas você passa a viver "com as próprias pernas".

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sonzinho Bom

   
Janta - Marcelo Camelo e Mallu Magalhães

       Há quem goste, há quem odeie, mas eu amo esses dois. Ando numa fase da minha vida que a pressão de todos para com tudo têm me sufocado. Aí o que que eu faço? Eu canto. Canto, toco, leio, namoro. Tem coisa mais ruim que guardar mágoa? Existe tanta coisa - dá pra perder a conta de tanta mesmo - que faz mal só pra gente e que não tem ninguém aí que se importa se tu tá infeliz e triste.. No final, não vale à pena - nem a galinha - mesmo.
       Devaneei, desculpem - me a distração. Voltando ao que eu queria falar pra quem, enfim, lê o que eu escrevo, é que esse tipo de MPB que o Marcelo Camelo e a Mallu Magalhães tocam, de certa forma tem o poder de me levar pra um estado de espírito de completa paz e compreensão de mim mesma. Não sou totalmente conhecedora do campo da música, mas o som que ambos andam fazendo, acredito que depois que decidiram que se amavam e se ajudaram e se juntaram e se casaram, amadureceu muito (uma prova disso é a Mallu, própria).
       Aqui vos deixo um pedacinho das coisas que muito tenho escutado nas últimas semanas e que, de uma forma ou de outra, me têm feito muito feliz.

       
Meu Amor é Teu - Marcelo Camelo


Sambinha Bom - Mallu Magalhães


terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Mundo Precisa Conhecer


      Já faz um tempo que eu tô apaixonada. Pelo meu namorado sim, mas aqui vos falo de outra coisa. O que é o Skoob, afinal, professora? Oras, uma rede social! Mas não é comum, eu diria. Ele foi feito na medida exata pra todos aqueles que amam o prazer que a leitura proporciona, e que, principalmente, querem dividir um pouco disso tudo com o mundo. Segundo o institucional do site, ele foi construído ao som de "Good People" do cara, Jack Johnson que na letra da música insiste em perguntar para onde foram as boas pessoas, e a resposta - segundo a própria fonte "skoobana" - é de que foram para lá. 
      O Skoob nada mais é do que um site onde você mostra para as pessoas o que está lendo, o que já leu e o que ainda pretende ler. Você organiza uma espécie de estante virtual, a qual as pessoas podem visitar e ainda, perguntarem a sua opinião sobre qualquer autor ou obra que você já tenha lido, ou não, ou que esteja lendo.Lá você elabora resenhas, avalia e pode até, por ventura, trocar livros com gente do mundo inteiro, só que não pára por aí. O site, seguidamente sorteia exemplares de obras que são doadas pelas editoras e te deixa concorrer sem pagar nada - não sou sovina, embora esse comentário tentasse demonstrar o contrário -.
   
     Fazer o cadastro é muito fácil.  O skoob é uma ferramenta inteligente, feita pra quem ama a leitura. Ali você pode organizar tudo o que deseja ler, trocar, alugar na biblioteca do sesi (não necessariamente na do sesi, mas eu amo falar "da biblioteca do sesi"). O mundo precisa conhecer o skoob, não tanto quando eu passar no vestibular, mas precisa!
     Aqui tá o meu perfil. Se você já leu "Cinquenta Tons de Cinza" da E.L. James, me diz o que achou, porque eu comprei o livro e quando eu escutei que ele prendia a mulher no teto e fazia coisa que ninguém quer ver o pai e a mãe fazendo (né) com ela, fiquei um tanto quanto assustada. 

Att, Eu.