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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Vida é Um Ônibus


A cada dia que passa me convenço cada vez mais de que a vida é um ônibus. Essa história de que ela é passageira, pra mim não faz sentido: os passageiros da vida somos nós. Quando nascemos, entramos numa linha em que o roteiro se desconhece. Quando jovens, temos motoristas experientes (por vezes nem tanto assim) que conduzem brilhantemente nosso caminho e nos incentivam a fazer escolhas. Passageiros entram, pegam carona, compartilham histórias (e fazem parte da nossa), mas quando menos se espera eles descem. Perto de casa? Não sei. Porque descem? Porque têm de descer, por que cansaram ou porque definitivamente chegou “a hora”.

Existem pessoas que quando descem, não partem definitivamente, e, se partem, permanecem. Permanecem no coração e nas lembranças. No cheiro que deixaram no banco o qual passaram anos, meses, a vida toda sentadas. A morte não é fácil. Não pra quem permanece, mas ela é natural. Hora ou outra, todos morreremos. Novos, velhos, na meia idade... A hora de todo mundo chega. Não estou aqui para dizer que deve – se aceitá - la sem sentir a perda. Perder nunca é bom, mas ensina.

Perder num jogo de xadrez mostra que deve – se aprimorar a estratégia de jogo. Perder o celular mostra que deve – se estar mais atento às coisas que se faz, mas a perda de uma pessoa mostra uma coisa muito mais importante: mostra que a gente tem que viver. Viver bem, intensamente. Ela mostra que a vida é um ônibus, e deve – se aproveitar a viagem para que quando a hora de descer chegar, outras pessoas entendam a importância e o sentido real da vida.


Texto dedicado à minha amiga Karine: que tu sejas muito feliz, e aprenda a superar esse e muitos outros obstáculos que a vida vier a te impor. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

2013 Oportunidades


Todo começo de ano é assim: ninguém quer deixar as coisas como estão. Pelo ou menos eu é que não quero. Nunca parei pra estabelecer metas, sabe? Minha vida nunca teve tanta oscilação  e como as coisas sempre continuavam iguais, me acomodei. Errado. Muito, muito, muito errado. O comodismo de longe deve contentar as pessoas. De longe deve se estabelecer na vida delas e de longe deve ser encarado como um modo de vida. É por isso que as metas e objetivos são tão importantes na vida de uma pessoa. É por isso que 2013 vai ser diferente. Não porque entrei na faculdade e as coisas no trabalho vão ser um pouco diferentes, mas porque eu decidi agir. Sabe aquele papo de ser espectador da própria vida? É, chega.

1. Parar de achar que é sempre comigo.
Deixar de nóia. Deixar de pensar que toda indiretinha idiota é pra mim. De pensar coisa ruim, de negatividade. Quero paz de espírito, paz de mim. Chega de guerra, Roberta!

2. Levar a faculdade e o trabalho a sério.
18 anos não é brincadeira. É responsabilidade, seriedade, começo de futuro. Investir agora, colher depois.  Tomara que PP só me traga coisa boa e me faça feliz.

3. Economizar uma graninha.
Tem gente que economiza pra fazer tatuagem, pra comprar roupa e eu só quero um box de câmera profissa + fusca. É pedir muito, papai do céu? Não quero ser mão de vaca, mas a graninha pra vocês dois eu vou guardar viu? Me aguardem! Mas pera, olha que linda essa blusinha...

4. Sem estress.
Respirar, deixar a vida fazer as coisas ao seu curso natural, sem estress. Andar de pé descalço, beijar de pé, não cobrar tanto da vida, da felicidade, do meu namorado. (Isso inclui o ciuminho meu de cada dia, pra que não vire um ciumão que sufoque tanto deixando meu mundo sem ar).

5. Ler mais, bem mais.
Essa é pra fechar. Vou fazer uma biblioteca em casa e um acervo dela na minha cabeça. Ler enriquece vocabulário, dá asas à criatividade (que vai ser muito útil quando eu for uma publicitária famosona) e te deixa mais legal. Mais legal pra lidar com as pessoas e com as situações. Mais legal na hora de perceber as coisas. Melhor.

Tem mais. Mas o resto eu vou deixar em cima da minha mesinha pra não esquecer de lembrar de ser feliz. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vlogs Literários


     Tenho o costume de antes de começar a ler um livro, procurar uma boa resenha dele. Muitas vezes, uso o Skoob como ferramenta, mas ele nem sempre é capaz de suprir certas dúvidas que tenho sobre determinadas obras. Até andei pesquisando em blogs e coisas do gênero uma boa crítica com um resumo geral, coisa que a gente aprende a fazer na escola, mas ó, tá difícil. Quase desistindo, resolvi dar uma pesquisada no Youtube. Não sei como vivi sem essas resenhas antes. Os Vlogs Literários são ótimas ferramentas de busca de opiniões para leitores do mundo todo. Grande maioria deles dão em inglês, mas os brasileiros também são muito bons! Vou anexar no post as resenhas de alguns livros que eu adoraria ler e os canais dos Vlogueiros. Tá aí! 

Respira, Mariana!
A Mari é um amor. De gosto muito refinado e voz de mulherão, prende a atenção em todas as resenhas que ela faz. Ela já resenhou alguns livros e os recomendou e, eu muito curiosa, os li. Não foram indicações falhas, e ela segura o livro do lado o tempo inteiro, e isso te faz querer pegar nele, nem que seja só pra dar uma folheadinha.




Tiny Little Things
A Tati tem um jeito muito engraçado e misterioso de se expressar. Gosto da parte em que a gente escolhe um livro pra ela ler e resenhar depois. Acho esse tipo de abertura fundamental, já que te deixa mais próximo de quem te acompanha. Ela lê mais clássicos e livros de literatura adulta, mas quando ela resenha um YA não deixa nada à desejar.




Vevsvaladares
Acho a Vevs engraçadíssima. O jeito diferente que ela costuma resenhar seus livros é desconcertante. Me identifiquei com ela porque em certos momentos ela lembra eu, falando e gesticulando. Recomendo!



O que vocês andam lendo?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Difíceis Separações

       
Dias atrás, rindo de antigas histórias que o tempo não consegue apagar, sorri. Sorri um sorriso de sentir as bochechas espremerem, e deu saudade. Foi como se as coisas acontecessem ali, numa apresentação em sépia que pairava por entre meus olhos. Meu pai, calorosamente dando palmadas na coxa me fazendo correr para o seu colo afim de me dizer algo sério. Assunto de gente adulta.  "Roberta, vamos fazer uma troca? Tu taca teu bico na lareira e eu te dou a Boneca Baby Barriguinha" Aquilo era muito sério. Ou a boneca, ou o bico. E na lareira, não ia dar pra pegar de volta. Mas era a Baby Barriguinha, alguém lembra da Baby Barriguinha? É! Aquela que a gente aperta a mamadeira e a barriga dela incha... Sabe? Eu sabia, e como queria.

Minha mãe sentada ao lado dele (só pra sentir a seriedade do assunto) me avisou que se eu optasse pela boneca não ia ter volta. Não ia ter outro bico e aquilo me deixou indecisa. Pensei nos momentos felizes que eu e a chupeta vivemos e, com muito dó, taquei ela no fogo. Sabe quando  pai e mãe babam no filho quando ele faz alguma coisa que nunca fez e ficam feito crianças batendo palmas e gritando "ÊÊÊÊÊ!!" pra criança ver que fez uma coisa ótima? Fiquei triste pelo bico mas ver meus pais gritando e batendo palmas pra mim e imaginar que logo logo eu teria a Baby Barriguinha só pra mim amenizou  a separação tão importante na vida de uma criança. Quase tão importante quanto as fraldas (que também têm uma história muito curiosa no meu caso: não acostumada com a ideia de ficar sem elas parecia um cachorrinho fazendo cocô pela casa toda e meus pais também gritavam "ÊÊÊÊÊ!!" quando isso acontecia).

São separações difíceis as quais somos impostos a vida inteira. Abandonar a creche. Amigos. A escola, e isso é tudo realmente desafioso. Mas a separação mais difícil de uma pessoa deve ser quando ela sai de casa. Quando ela deixa de ver seus pais todos os dias e de ter o café da manhã posto na mesa sempre. Ou pior ainda, quando os pais partem, descansam e o chão some. Deus que me livre, quero eu que isso seja tão fácil quanto trocar o bico pela Baby Barriguinha e ter na mente os dois com cara de abobados gritando "ÊÊÊÊ!!" enquanto eu fazia cocôs pela casa toda.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Velha Chata


Não tem coisa que mais me mete medo do que envelhecer sozinha. Ter lá meus 70 e poucos anos e viver no silêncio de uma casa vazia. De acordar de mau humor e ir dormir do mesmo jeito. Quer dizer, até que tem. Viver triste, pra baixo, chata mesmo.Tenho observado muito aos velhinhos quando passo por eles na rua. Espero que eles não achem isso estranho, mas costumo ver onde eles mais têm rugas. Se na testa, de preocupação, se na boca, de tristeza. Se debaixo do olhos, de choradeza. (Choro + Tristeza), se nas bochechas, de tanto sorrir.

Mas eu não tenho esse medo por nada não. É que eu conheci uma velha chata. Ela tinha rugas na testa, na boca e debaixo dos olhos. Encontrei ela na fila de uma lotérica e ela só sabia reclamar do tamanho da fila. E quando chegou no caixa, só sabia reclamar das contas. E quando olhou pro caixa, da demora do atendimento. E quando saiu da lotérica, do degrau da porta. Deus que me livre, mas ela era muito chata. Coitadinhos dos filhos dela. Ah é! Já ia me esquecendo: Morro de medo também de que meus filhos não gostem da minha pessoa por ser tão chata. Ou meu bom e velhinho marido. Ou todo mundo.

Só sei que, na verdade, eu não queria aquela vida pra mim. Não quero. Não vou querer nunquinha. Não sei que tipo de velha vou ser, e é até meio precoce pensar nesse tipo de coisa antes dos 50, mas eu sei o que eu não quero ser desde já, e isso me basta. Pelo ou menos por enquanto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Receita de Ano Novo

Quando passei no vestibular pra Publicidade e Propaganda fiz questão de anunciar pro mundo inteiro e, desde que decidi que o faria, não tiro o olho dos anúncios publicitários e de toda e qualquer coisa ligada a eles. Amo Literatura, amo PP e quando os dois se unem, o resultado é lindo. O Bradesco soube aproveitar de forma incrível essa magia que existe entre os dois, o que só pôde resultar nisso:



O trecho não poderia pertencer a ninguém mais que Carlos Drummond de Andrade e, na íntegra, ele é melhor e mais profundo ainda.

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
"

Foi um acerto Publicitário enorme, bem como Carlos Drummond.